

O Brasil perdeu 37% de suas agências bancárias na última década, reduzindo o total para pouco mais de 14 mil unidades, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos com base no Banco Central do Brasil. O movimento reflete o avanço da digitalização e estratégias de corte de custos das instituições financeiras.
Desde 2015, 638 municípios ficaram sem qualquer agência bancária, deixando cerca de 6,9 milhões de pessoas sem atendimento presencial. Atualmente, 2.649 cidades — o equivalente a 48% do total — não contam com unidades físicas, afetando aproximadamente 19,7 milhões de brasileiros.
O fechamento se intensificou durante a pandemia de Covid-19 e com a expansão do Pix. Nesse período, quase 6 mil agências tradicionais foram encerradas, enquanto os bancos ampliaram investimentos em canais digitais e atendimento remoto.
Apesar da digitalização, especialistas apontam impactos sociais relevantes. “Funcionários são desligados e a população é impactada. Sabemos que a tendência é digital, mas até chegar ao ponto de todas as pessoas serem digitais, é preciso dar condições de atendimento a quem não tem afinidade”, afirma Edilson Julian, presidente do Sindicato dos Bancários de Marília e Região.
Em cidades menores, a falta de agências obriga moradores a se deslocarem para municípios vizinhos. No interior de São Paulo, por exemplo, habitantes de Oscar Bressane precisam viajar cerca de 40 km até Marília para acessar serviços bancários.
No Ceará, o ritmo de fechamento é acelerado: 117 unidades foram encerradas desde 2022, sendo 62 apenas em 2025. Para representantes sindicais, a ausência de atendimento físico compromete economias locais e amplia desigualdades de acesso.
Por outro lado, a Federação Brasileira de Bancos afirma que o setor está se adaptando ao novo perfil do consumidor. “Atualmente, praticamente todas as operações bancárias podem ser feitas de forma eletrônica”, diz a entidade.
Dados da Deloitte indicam que, em 2024, 75% das transações bancárias foram realizadas via celular. Ainda assim, parte dos serviços permanece presencial, especialmente operações mais complexas, como crédito e investimentos.
O fechamento de agências também impacta o mercado imobiliário, com imóveis comerciais de grande porte ficando vazios em centros urbanos. Em cidades como Santos e São José do Rio Preto, prefeituras já estudam medidas para reocupar esses espaços.
Enquanto isso, bancos têm investido em modelos híbridos, como agências-conceito e atendimento personalizado para clientes de maior renda, reforçando a transformação do setor financeiro no país.
(Folha de S. Paulo)
Foto: Valter Campanato / Agência Brasil