

Em janeiro, o Nordeste registrou 1.161.678 empresas inadimplentes, segundo os dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian, primeira e maior datatech do Brasil. Ao todo, foram contabilizadas 5.997.925 dívidas negativadas na região, que somaram R$ 17,4 bilhões no período.
A Bahia liderou em número de empresas negativadas, com 321.980 CNPJs inadimplentes e R$ 4,17 bilhões em dívidas. Pernambuco (208.948) e Ceará (184.599) apareceram na sequência. Entre os estados da região, o Rio Grande do Norte apresentou a maior dívida média por empresa (R$ 20.048,30), enquanto o Piauí registrou o maior ticket médio das dívidas (R$ 3.299,65).
Em âmbito nacional, o Brasil registrou 8,7 milhões de empresas inadimplentes em janeiro. O número é inferior ao observado em dezembro de 2025, quando 8,9 milhões de companhias estavam negativadas, e interrompe a sequência de aumentos mensais registrada ao longo de 2025 da série histórica. Ao todo, foram contabilizadas 60,1 milhões de dívidas inadimplidas, que somaram R$ 201,7 bilhões. Em média, cada empresa possuía 6,9 contas negativadas no período.
De acordo com a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, apesar da queda registrada em janeiro, o nível de inadimplência ainda permanece elevado. “A redução do número de empresas inadimplentes em janeiro não representa, necessariamente, uma mudança de tendência. A oscilação mensal costuma refletir fatores pontuais, como renegociações e regularizações concentradas no fim do ano, e não uma melhora estrutural da capacidade de pagamento das empresas”, afirma.
Perfil das dívidas e setores
A dívida média por empresa foi de R$ 23.138,40, enquanto o ticket médio das dívidas chegou a R$ 3.356,02. Em relação a dezembro de 2025, observa-se leve redução nos indicadores de endividamento, acompanhando o movimento registrado no número total de empresas inadimplentes. Segundo Camila, a dinâmica de janeiro costuma ter características próprias no ambiente corporativo. “Diferentemente do consumidor, as pressões típicas de início de ano não afetam as empresas com a mesma intensidade. Para o setor empresarial, janeiro tende a ser um mês de pouca variação operacional relevante, já que os maiores desembolsos trabalhistas ocorrem em dezembro. Em alguns segmentos, como comércio e serviços ligados ao varejo, o período ainda conta com liquidações e ajustes de estoque que ajudam a sustentar o caixa”, afirma.
Entre os setores das empresas negativadas, “Serviços” liderou com 55,3% do total em janeiro de 2026. Na sequência apareceram “Comércio” (32,7%) e “Indústria” (8,1%). Já na análise por setor de origem das dívidas, o maior volume de negativações também esteve em “Serviços” (31,5%), seguido por “Bancos e Cartões” (19,4%).
Micro e Pequenas Empresas concentram maior volume de CNPJs inadimplentes
Do total de 8,7 milhões de empresas inadimplentes em janeiro de 2026, 8,3 milhões eram micro e pequenas empresas, que acumularam R$ 176,1 bilhões em dívidas no período. Esse grupo registrou média de 6,6 contas negativadas por companhia e representa 95,5% do total de CNPJs negativados no país. “As micro e pequenas empresas, que concentram a maior parte das companhias inadimplentes, têm, em geral, menor acesso a linhas de crédito estruturadas e dependem mais de recursos de curto prazo. Em um cenário de custo financeiro elevado e maior seletividade na concessão, a capacidade de renegociação e de alongamento das dívidas fica reduzida, o que ajuda a explicar a concentração da inadimplência nesse grupo”, finaliza Camila.
Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil