quinta, 12 de março de 2026
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ARMANDO AVENA – A GUERRA, A PETROBRAS E O DESEQUILÍBRIO DO MERCADO

Redação - 12/03/2026 06:59

A guerra no Oriente Médio provocou um choque no mercado de energia. Era de se esperar, pois na região do conflito passa uma parcela significativa do petróleo consumido no planeta. O preço do barril disparou, chegando a atingir a marca de 120 dólares, para depois recuar um pouco. O aumento nos custos logísticos, que incluem fretes, seguros e riscos geopolíticos, atinge toda a cadeia de energia.

O petróleo representa cerca de 80% do custo de produção da gasolina, diesel e derivados e o aumento gerado já pode ser sentido em vários países e aqui na Bahia.

Trata-se de um mecanismo típico de mercado: quando o barril sobe, o custo de refino sobe e os derivados acabam ficando mais caros. No Brasil, no entanto, o mercado não funciona plenamente. A Petrobras, responsável por cerca de 80% da capacidade de refino do país, está evitando o repasse da volatilidade de preços ao consumidor brasileiro. A estratégia, que já foi usada anteriormente, traz graves problemas para a estatal, além de desestruturar o mercado.

Ao não acompanhar o chamado PPI – preço de paridade internacional, que reflete quanto custaria importar combustível, a Petrobras acaba vendendo seus produtos abaixo do valor no mercado global. Ou seja, ao represar os preços, a Petrobras está atuando como governo, tentando reduzir o impacto do repasse de preços na inflação, mas faz isso em detrimento dos resultados comerciais da empresa, que passa a ter margens menores e redução do lucro.

Além disso, como o refino não é completamente estatal, desestrutura o mercado.  Cerca de 20% do refino no país está nas mãos de refinarias privadas que importam algo como 30% do petróleo que usam nas refinarias, a preços internacionais, cotados em dólar.

Para essas empresas, segurar preços simplesmente não é uma opção. Se o barril sobe, o custo sobe imediatamente. Não repassar essa alta significa operar com margens extremamente comprimidas ou até mesmo com prejuízo. Em outras palavras, enquanto a Petrobras pode absorver temporariamente parte da pressão de custos, as refinarias privadas não têm essa capacidade.

O resultado é um desequilíbrio competitivo no mercado de combustíveis. A Petrobras, que responde por quatro quintos do refino nacional, vende abaixo da paridade internacional, enquanto seus concorrentes enfrentam custos alinhados ao mercado global. É o que se chama  price distortion  e gera compressão de margens, o que torna inviável a operação das empresas privadas.

Mas, além disso, surge uma distorção geográfica. As refinarias privadas têm a maior parte do seu mercado localizadas na Bahia e em outros estados nordestinos. Essas empresas operam sob lógica privada e tendem a repassar mais rapidamente as altas do petróleo, para não operar com prejuízo. Cria-se uma situação paradoxal: a Petrobras mantém preços artificialmente mais baixos em grande parte do país, enquanto outras regiões arcam com um maior custo, distorcendo o mercado.

A distorção geográfica e de preços se generaliza, pois se os preços domésticos permanecem artificialmente baixos, importadores reduzem ou suspendem operações, já que trazer combustíveis do exterior deixa de ser economicamente viável. Refinarias privadas também passam a operar sob forte pressão, o que pode reduzir investimentos e limitar a expansão do setor.

Quanto mais o petróleo sobe no mercado internacional, maior tende a ser essa distorção interna. O Brasil acaba convivendo com um sistema em que o choque externo provocado pela guerra é parcialmente amortecido por uma política de preços doméstica que transfere o problema para o mercado brasileiro de refino.

O Brasil não tem controle sobre a guerra no Oriente Médio. Mas tem controle sobre como reage a ela e não pode fazê-lo com dois pesos e duas medidas. Ou a Petrobras segue o preço de paridade internacional, equalizando o mercado, ou fornece petróleo a preço igual para todas as refinarias. Fazer o que vem fazendo atualmente – segurar preços para aliviar temporariamente o consumidor, enquanto gera desequilíbrios na sua própria estrutura de custos e no mercado de combustíveis – é o pior dos mundos.

PIB DA BAHIA CRESCE MAIS QUE O NACIONAL.

O PIB baiano cresceu 2,7% em 2025  em relação ao mesmo período de 2024, desempenho superior ao crescimento nacional de 2,3%.No quarto trimestre, a economia desacelerou por conta da taxa de juros elevada e cresceu apenas 0,2%. Em 2025, quem puxou o crescimento foi a agropecuária com alta de 10 %, com bom desempenho da produção de grãos e avanço da pecuária. A indústria de transformação cresceu quase 2% e a construção civil teve alta de 2,4%. Registre-se o crescimento  da indústria extrativa mineral, superior a 10%, com ouro e metais preciosos em alta.  O setor de Serviços cresceu 1,7% e o comércio teve alta de 1,8%.  Os dados são da SEI-  Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais.

Publicado no jornal A Tarde em 12/03/2026

 

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