

Embora atinja milhões de mulheres em idade reprodutiva, a endometriose ainda permanece cercada por desinformação, subdiagnóstico e sofrimento silencioso. Em resposta a esse cenário, Salvador recebe, no dia 15 de março, a 5ª edição do MovEndo, iniciativa do Centro de Endometriose da Bahia dedicada à conscientização sobre a doença e à promoção do diagnóstico precoce. Integrando o Março Amarelo, o evento será realizado no Jardim de Alah, espaço público de grande visibilidade e tradicional palco de atividades esportivas e culturais.
Mais do que informar, o MovEndo se propõe a acolher e orientar. A edição 2026 deve reunir cerca de 150 participantes, entre pacientes, familiares e profissionais de saúde envolvidos com o tema. Além da programação educativa e esportiva, cada participante receberá camisa, kit lanche e hidratação, mediante a doação de 2 kg de alimentos não perecíveis, destinados às Obras Sociais Irmã Dulce.
Informação como ferramenta de cuidado – Para o cirurgião o Marcos Travessa, diretor médico do Centro de Endometriose da Bahia, o evento cumpre também um papel social relevante ao aproximar o conhecimento científico da população. “A informação é uma forma de cuidado. Quando a mulher entende o que sente, ela se sente mais segura para buscar ajuda e não aceita mais viver com dor como se fosse algo inevitável”, afirma.
Criado em 2022, o MovEndo nasceu com o propósito de unir informação confiável, movimento, saúde e acolhimento, levando o debate sobre a endometriose para além dos consultórios médicos. A iniciativa conta, ainda, com o apoio de empresas parceiras que acreditam na promoção da saúde feminina e na conscientização como ferramenta de transformação social. Além do impacto presencial, o movimento amplia sua atuação por meio das redes sociais, especialmente pelo Instagram @movendo_br.
Doença subdiagnosticada – Estimativas da Organização Mundial da Saúde indicam que a endometriose afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo, o equivalente a aproximadamente 190 milhões de pessoas. No Brasil, calcula-se que entre 6 e 8 milhões de mulheres convivam com a doença, muitas delas sem diagnóstico formal. Um dos principais desafios é o tempo até a confirmação, que pode levar, em média, de sete a dez anos desde o início dos sintomas.
“A endometriose é uma doença inflamatória crônica, progressiva e muitas vezes incapacitante, mas ainda tratada com naturalização da dor”, destaca Travessa. Segundo o especialista, cólicas menstruais intensas, dor pélvica persistente, dor durante a relação sexual, dor ao evacuar ou urinar e dificuldade para engravidar não devem ser consideradas normais.
“Quando a dor interfere na rotina, no trabalho, nos relacionamentos ou na saúde emocional da mulher, isso precisa ser investigado com seriedade”, completa o especialista em endometriose e mioma, que também coordena o Núcleo de Cirurgia Ginecológica do Instituto Brasileiro de Cirurgia Robótica (IBCR).
Diagnóstico precoce – A doença ocorre quando células semelhantes às do endométrio — tecido que reveste o interior do útero — crescem fora da cavidade uterina, podendo atingir órgãos como ovários, trompas, bexiga e intestino. O processo inflamatório gera dor, aderências e alterações funcionais, impactando diretamente a qualidade de vida e, em muitos casos, a fertilidade feminina.
Segundo a médica radiologista Francine Freitas, também do Centro de Endometriose da Bahia, o diagnóstico da endometriose exige atenção clínica especializada e, com frequência, exames de imagem específicos, como a ultrassonografia transvaginal com preparo intestinal e a ressonância magnética. “Em situações selecionadas, a confirmação e o tratamento podem ocorrer por meio da videolaparoscopia, procedimento minimamente invasivo que permite visualizar e tratar lesões. O diagnóstico precoce muda completamente a história da doença”, explica a especialista.
Tratamento – O tratamento é individualizado e pode envolver terapias hormonais para suspensão da menstruação, mudanças no estilo de vida, ajustes na alimentação, prática regular de exercícios físicos e acompanhamento com equipe multidisciplinar. Nos casos mais graves, a cirurgia — por laparoscopia ou cirurgia robótica — pode ser indicada. “Quando realizada por equipe especializada, a cirurgia traz ganhos importantes de qualidade de vida”, pontua Marcos Travessa.
“Endometriose não é frescura, não é exagero e não é algo que a mulher precise suportar sozinha. Com informação correta, diagnóstico adequado e tratamento individualizado, é possível devolver qualidade de vida a milhares de mulheres”, conclui o cirurgião.
Programação – MovEndo 2026
6h30 – Concentração
7h – Funcional (100 pessoas) / Yoga (50 pessoas)
8h30 – Bate-papo com especialistas (ginecologia, nutrição, fisioterapia pélvica e radiologia)
10h – Café da manhã saudável
Serviço
O que: MovEndo 2026
Quando: 15 de março, a partir das 6h30
Onde: Jardim de Alah, Salvador-BA
Informações no Instagram: @movendo_br