

A carteira de crédito para capital de giro na Bahia chegou a R$ 23,34 bilhões em junho de 2025, o que representa alta de 20,5% em comparação com os R$ 19,3 bilhões registrados no mesmo período de 2024. Os dados são do Banco Central do Brasil e colocam o estado com a quinta maior expansão do país e a terceira do Nordeste.
O crescimento ocorre em meio à retomada da atividade econômica e ao aumento da demanda por financiamento por parte das empresas. Segundo especialistas do setor financeiro, o avanço está relacionado à ampliação da produção, recomposição de estoques e aumento das vendas, fatores que elevam a necessidade de recursos para sustentar o ciclo operacional.
“Com a atividade econômica mais forte, as empresas ampliam produção, estoques e vendas, o que aumenta a necessidade de recursos para financiar o ciclo operacional”, afirma Ana Paula Medeiros, coordenadora do Ciclo de Crédito na Central Sicredi Nordeste.
De acordo com a especialista, a maior procura por crédito tem sido puxada principalmente por micro, pequenas e médias empresas, segmento que concentra maior uso de capital de giro. Essas companhias dependem mais de financiamento para despesas correntes, como compra de insumos, pagamento de fornecedores e organização do fluxo de caixa.
Dados do Sicredi na Bahia indicam que a instituição encerrou dezembro de 2025 com carteira de crédito total de R$ 63 milhões, registrando crescimento de 14% no período, o que sinaliza expansão das operações voltadas ao financiamento empresarial.
“O crescimento do capital de giro está quase sempre associado ao aumento das concessões destinadas à liquidez operacional das empresas. Nos últimos anos, parte relevante da expansão do crédito corporativo tem sido direcionada à recomposição de caixa, antecipação de recebíveis e financiamento do ciclo financeiro”, complementa Ana Paula.
No sistema financeiro, o capital de giro é uma das principais modalidades de crédito empresarial. Por se tratar de operação de curto prazo e alta rotatividade, costuma reagir mais rapidamente às oscilações da economia. O aumento no volume de recursos tende a fortalecer especialmente as linhas destinadas a necessidades imediatas de caixa.
Especialistas avaliam ainda que o crescimento ocorre paralelamente ao aumento do número de empresas que recorrem ao crédito como ferramenta de gestão financeira, substituindo recursos próprios por financiamento operacional para manter a liquidez.
“Mudanças estruturais no financiamento empresarial também contribuem para o avanço da modalidade. Parte das empresas tem substituído recursos próprios por crédito operacional para manter a liquidez, sobretudo em cenários de maior necessidade de caixa”, conclui a coordenadora do Ciclo de Crédito na Central Sicredi Nordeste.
Foto: José Cruz/Agência Brasil