

Nesta quinta-feira, Argentina registrou a quarta greve geral desde o início do governo de Javier Milei. A paralisação, de 24 horas, ocorreu no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de reforma trabalhista, por 135 votos favoráveis e 115 contrários, que amplia a jornada de trabalho para até 12 horas e restringe direitos dos trabalhadores. O texto retornou ao Senado para ratificar a exclusão do artigo que previa redução de salários durante licenças médicas.
Convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), a greve teve adesão de cerca de 90% e impactou os principais centros urbanos. Sindicatos de transporte, trabalhadores portuários, bancários, do comércio e do setor público participaram do movimento.
O setor aéreo foi fortemente afetado: a Aerolíneas Argentinas cancelou 255 voos, atingindo aproximadamente 31 mil passageiros e gerando prejuízo estimado de US$ 3 milhões. No Brasil, 62 voos foram suspensos nos aeroportos de Rio de Janeiro (Galeão) e São Paulo (Guarulhos).
Além da aviação, a greve paralisou trens e metrôs, fechou bancos, reduziu atividades comerciais e suspendeu partidas de futebol. A reforma trabalhista prevê redução de indenizações, flexibilização de regras de contratação, mudanças no sistema de férias, possibilidade de pagamento de salários em moeda estrangeira e aumento da jornada padrão de 8 para 12 horas, mobilizando milhares de trabalhadores nas proximidades do Congresso.
Nos arredores do Legislativo, manifestações inicialmente pacíficas evoluíram para confrontos, com lançamento de garrafas contra policiais, que responderam com jatos de água e gás lacrimogêneo. O movimento ocorre em meio à retração industrial: desde dezembro de 2023, cerca de 21 mil empresas fecharam e aproximadamente 300 mil empregos foram perdidos, segundo fontes sindicais.
Foto: REUTERS/Alessia Maccioni



