segunda, 16 de fevereiro de 2026
Euro Dólar

CARNAVAL DE SALVADOR REGISTRA MAIS DE 128 TONELADAS DE MATERIAIS RECICLÁVEIS COLETADOS NOS QUATRO PRIMEIROS DIAS

Victoria Isabel - 16/02/2026 15:25

A ampliação dos pontos de coleta nos circuitos oficiais e os benefícios ofertados aos catadores autônomos vêm impactando diretamente o volume de materiais reciclados no Carnaval de Salvador. Nos quatro primeiros dias de festa, a Prefeitura, por meio da Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência e Bem-Estar e Proteção Animal (Secis) e da Empresa de Limpeza Urbana (Limpurb), registrou 128,53 toneladas de resíduos coletados.

Há quatro anos trabalhando como recicladora no Carnaval, Sara Santana de Andrade, de 45 anos, afirmou que os pontos de coleta facilitam a rotina dos trabalhadores. Ela também destacou a bonificação oferecida pela Prefeitura a cada 15 kg de plástico mole.

“A quantidade de pontos de coleta facilita nossa vida. É tudo muito rápido e tranquilo. Também estou muito contente com a bonificação para o plástico. Isso incentiva a gente a coletar mais para ganhar uma renda extra”, disse a trabalhadora.

Em razão dos bons números do primeiro dia, quando foram registrados mais de 14 mil quilos, frente a 10 mil no mesmo dia de 2025, o titular da Secis, Ivan Euler, revelou esperar um crescimento significativo no volume total de recicláveis coletados em relação ao Carnaval passado.

“Registramos um grande aumento de materiais recicláveis na quinta-feira, cerca de 40% a mais do que em 2025. No sábado, também tivemos um volume expressivo na Barra. O Centro tem maior movimentação no domingo, na segunda e, principalmente, na terça. A expectativa é superar a quantidade registrada em 2025, chegando a mais de 170 toneladas neste ano”, disse Ivan Euler.

O presidente da Limpurb, Carlos Augusto Gomes, destaca que o resultado positivo é fruto de um trabalho horizontal: “Nossas ações de reciclagem são um trabalho conjunto entre gestão pública, terceiro setor e o segmento privado. Elas contribuem ainda mais com a economia circular, geram emprego e renda para os catadores, promovem mais dignidade e humanização para um segmento importante da nossa população, bem como incentiva e consolida a sustentabilidade como uma agenda prioritária da nossa gestão”, afirmou.

Estrutura — Além das 11 centrais distribuídas nos circuitos Circuito Osmar (Centro) e Circuito Dodô (Barra/Ondina), os recicladores podem entregar resíduos em dois novos pontos: na Rua das Vassouras, no Pelourinho, e em Cajazeiras, onde ocorre o Carnaval nos Bairros. A medida integrou áreas fora dos circuitos tradicionais à política de sustentabilidade.

A Prefeitura mantém oito Centrais de Reciclagem. São quatro na Barra – Rua Carlos Chiaccio, Rua Marques de Leão em frente ao Banco do Brasil, Rua Marques de Leão em frente ao prédio Nau e Rua Miguel Burnier -; uma na Ondina – Av. Oceânica, em frente ao antigo Isba -; e três no Centro – no topo da Ladeira da Montanha, na Praça da Aclamação e em frente ao Orixás Center, no Politeama.

As estruturas são administradas por cooperativas parceiras que realizam coleta, triagem, pesagem e recolhimento, juntamente com a Prefeitura. A Cooperativa de Reciclagem e Serviços da Bahia (Cooperes), responsável pela unidade na Ladeira da Montanha, conta com 50 profissionais que apoiam os catadores autônomos.

“Nós, com apoio da Prefeitura, atendemos essas pessoas para que não sejam invisíveis. Aqui, elas recebem EPIs, camisas e calças, além de vender os materiais recicláveis por um preço justo. Pagamos o mesmo valor das grandes empresas do segmento na Bahia”, afirmou o presidente Elias Pires dos Santos.

Outra ação da Prefeitura é a Plástico é Vida – Catando na Avenida, promovida pela Limpurb. Desde 2018, ela funciona paralelamente à mega-operação de limpeza feita pela autarquia no Circuito Dodô, coletando resíduos de plástico que são descartados ao longo da avenida após o fim dos desfiles. A operação é feita em parceria com a Cooperativa dos Recicladores da Unidade do Ogunjá – Cooperbari.

Economia — Um dos pilares da economia circular, a reutilização de materiais recicláveis contribui para a preservação ambiental e movimenta a economia local. Somente a comercialização dos recicláveis já colocou mais de R$ 1 milhão em circulação.

“Conversando com catadores e cooperados, identificamos que o Carnaval funciona como um 13º, 14º e até 15º salário. É a grande oportunidade do ano para obter renda extra e investir em melhorias na casa”, concluiu Ivan Euler.

Fotos: Fernando Peixoto / Secom PMS

Copyright © 2023 Bahia Economica - Todos os direitos reservados.