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MAIORES MONTADORAS DO PAÍS PEDEM A LULA PARA SUSPENDER BENEFÍCIOS A BYD

Redação - 05/02/2026 15:39 - Atualizado 05/02/2026

Os presidentes de quatro grandes montadoras de veículos instaladas no país enviaram uma carta direta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, numa tentativa de barrar a possibilidade de prorrogação de benefícios tributários que zeraram o imposto de importação para kits desmontados de veículos elétricos no ano passado.

A ofensiva tem um endereço claro: a chinesa BYD, que foi a principal favorecida pela medida fiscal, embora este pudesse ser usado por qualquer empresa. Em janeiro de 2026 a BYD ultrapassou uma das cinco maiores e ficou em 5o lugar em vendas. (Veja aqui)

A Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) tem sido clara em seu posicionamento contra a renovação do benefício.

A carta é assinada pelo presidente da Volkswagen do Brasil, presidente da Stellantis Automóveis do Brasil, presidente da Toyota do Brasil, e Santiago presidente da General Motors do Brasil.

Na carta, os executivos afirmam que a redução temporária do imposto de importação para kits CKD e SKD, criada em agosto do ano anterior e válida até 31 de janeiro deste ano, representa um risco estrutural para a indústria nacional, porque favorece empresas que não possuem processo industrial centralizado no Brasil, usando o país apenas para integrar conjuntos de peças produzidos em outros países.

No kits CKD (sigla em inglês para Completely Knocked Down) o carro chega totalmente desmontado, em partes individuais, exigindo mais etapas de montagem no país de destino, como soldagem, pintura e integração final.

Já no modelo SKD (Semi Knocked Down), o que se tem é um sistema intermediário, no qual o veículo vem parcialmente montado, com blocos maiores, como carroceria ou conjuntos mecânicos prontos, restando menos etapas produtivas locais. Em geral, quanto mais próximo do CKD, maior o nível de trabalho industrial no país. Por outro lado, quanto mais próximo do SKD, menor a geração de empregos e fornecedores locais.

Até o momento, não houve nenhum pedido formal para renovação do benefício fiscal que foi válido por seis meses e permitia isenção total de importações dentro de um limite de até US$ 463 milhões.

O assunto teve a temperatura aumentada porque nesta quarta-feira (4) estava prevista uma reunião no Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) com Tyler Li, presidente da BYD.

A informação é de que os interesses da BYD contam com a defesa do ministro da Casa Civil, Ruy Costa, enquanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, mostra-se reticente quanto à possibilidade de extensão do benefício.(FSP)

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