

O reajuste do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) em Lauro de Freitas, em vigor desde janeiro de 2026, tem provocado forte insatisfação entre moradores do município, especialmente no bairro de Vilas do Atlântico. Os novos valores apresentam aumentos que variam entre 15% e 60%, conforme a Prefeitura, e foram definidos a partir de proposta apresentada pela prefeita Débora Regis (União Brasil) em 2025, posteriormente aprovada pela Câmara Municipal.
Um dos casos relatados por moradores evidencia a dimensão do impacto: um imóvel que pagava R$ 2.680 de IPTU em 2025 passou a ser tributado em R$ 4.248 neste ano, representando um aumento de 58,5%. Situações como essa motivaram críticas de associações comunitárias, que classificam o reajuste como excessivo e desproporcional.
A Associação de Moradores de Vilas do Atlântico (Amova) divulgou nota de repúdio afirmando que os percentuais aplicados superam amplamente os índices oficiais de inflação, tornando o imposto “abusivo e insensível”. Segundo a entidade, a medida pode transformar o IPTU em um fator de exclusão social, ao comprometer o direito à moradia, especialmente para famílias de renda média e idosos. A Amova cobra da Prefeitura e da Câmara Municipal a revisão dos cálculos e a adoção de um reajuste limitado à inflação.
Diante do cenário, moradores de Vilas do Atlântico convocaram uma assembleia para discutir o tema, marcada para esta terça-feira, às 19h, com o objetivo de debater estratégias e possíveis medidas coletivas contra o aumento.
A insatisfação também se estendeu a outros bairros. A Associação de Amigos e Moradores de Ipitanga (AMI) manifestou críticas ao reajuste do IPTU, ressaltando que, apesar do aumento do imposto, persistem diversos problemas estruturais na região. Entre eles estão ruas esburacadas, alagamentos frequentes, obras desordenadas na Orla de Ipitanga, abandono do Rio Sapato, cobranças relacionadas ao esgotamento sanitário e a paralisação da obra do Parque Ecológico de Ipitanga.
Em resposta às reclamações, a Secretaria Municipal da Fazenda (SEFAZ) informou, por meio de nota, que o reajuste do IPTU segue critérios de correção monetária baseados na inflação e que o valor do imposto é calculado a partir do valor venal dos imóveis, conforme determina a legislação vigente.
Apesar da justificativa oficial, moradores e entidades afirmam que os aumentos não refletem apenas a inflação e cobram mais transparência nos critérios adotados, além de melhorias efetivas nos serviços públicos oferecidos à população.
Foto: Viviane Moreira