

O setor de bares e restaurantes de Salvador projeta um crescimento entre 10% e 15% no faturamento durante o Carnaval de 2026, impulsionado pelo aumento do fluxo turístico na capital baiana. A estimativa é da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).
De acordo com o presidente da Abrasel, Leandro Menezes, Salvador encerrou o último ano com indicadores positivos no turismo, cenário que deve se repetir ao longo do verão e se intensificar durante o período carnavalesco. “As projeções apontam mais uma temporada de recordes na chegada de visitantes à cidade, o que impacta diretamente o desempenho do setor”, afirmou em entrevista exclusiva ao Bahia Econômica.
Os turistas têm papel decisivo nesse resultado. Segundo Menezes, a gastronomia local é parte fundamental da experiência de quem visita Salvador, especialmente durante o Carnaval. “Bares e restaurantes oferecem muito mais do que sabores. Cada prato é um mergulho na história e na cultura. Com a rotina intensa de festas e desfiles, muitos visitantes optam por fazer as refeições fora de casa, mesmo aqueles que alugam apartamentos, para preservar energia e aproveitar a folia”, explicou.
Além do impacto econômico, o Carnaval também deve impulsionar a geração de empregos temporários no setor. Tradicionalmente, esse período concentra a maior movimentação turística do ano e exige reforço nas equipes. Menezes destaca que, atualmente, as chances de efetivação após a festa são ainda maiores. “Tradicionalmente, muitos vínculos iniciados nessa época se estendem além da temporada festiva. Essa tendência se acentua ainda mais no momento, onde o setor enfrenta grandes desafios para atrair trabalhadores ao longo do ano”, disse.
Em relação às estratégias comerciais, a Abrasel avalia que promoções agressivas não são prioridade durante o período. A principal aposta dos estabelecimentos tem sido a adaptação dos cardápios para garantir rapidez no atendimento. “Os clientes procuram um serviço eficiente para aproveitar ou recuperar as energias após a folia. Por isso os estabelecimentos priorizam adaptações nos cardápios que permitem um atendimento mais ágil e direcionado às necessidades específicas da época. A feijoada, por exemplo, ganha espaço e destaque em diversos restaurantes, consolidando-se como uma tradição gastronômica do carnaval”, destacou.
Entre os desafios enfrentados pelos empresários, a gestão de mão de obra segue como o principal entrave, agravado durante o Carnaval. Segundo Menezes, muitos trabalhadores preferem dedicar o período exclusivamente à festa, o que exige maior esforço dos empreendedores. Ele também chama atenção para a chegada da geração Z ao mercado de trabalho, que traz novos valores e expectativas. “Para os empreendedores, isso significa aprender a lidar com um perfil de colaborador. A flexibilidade no horário de trabalho é muito valorizada pela geração Z, e tem impulsionado muitos a trabalharem em aplicativos de transporte e delivery. Acreditamos que o trabalho intermitente poderá ajudar ao segmento de bares e restaurantes voltar a ser atrativo para os mais jovens, e reduzir o déficit de mão de obra atual.”, avaliou.
Outro ponto sensível é a informalidade, que, segundo a Abrasel, precisa ser tratada com equilíbrio. O setor reconhece a importância dos ambulantes para a realização do Carnaval, mas defende a regulamentação para evitar distorções. “A instalação de vendedores [informais] em frente a estabelecimentos formais devem ser coibidas, pois geram concorrência desleal. É uma equação complexa, mas temos avançado ano após ano”, concluiu Menezes.
Foto: Alfredo Filho/ Secom.



