terça, 20 de janeiro de 2026
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BRASIL ENTRA NO TOP 5 GLOBAL DE USO DE STABLECOINS; MERCADO MOVIMENTA US$ 4 TRILHÕES

João Paulo - 20/01/2026 08:00

As stablecoins — criptoativos lastreados em moedas fiduciárias, como o dólar — deixaram de vez a periferia do ecossistema cripto para ocupar o centro da infraestrutura financeira global. A constatação consta em um estudo publicado recentemente pela TRM Labs.

De acordo com o levantamento, esses ativos movimentaram US$ 4 trilhões entre janeiro e julho de 2025, o que representa um crescimento de 83% em relação ao mesmo período do ano anterior. O volume já corresponde a 30% de toda a atividade on-chain global, evidenciando a consolidação das stablecoins como um dos pilares do mercado de criptoativos.

Nesse contexto, o Brasil se destaca como um dos protagonistas. O país consolidou sua posição entre os cinco maiores mercados de adoção de stablecoins no mundo, ao lado de economias como Índia, Estados Unidos, Paquistão e Filipinas.

Diferente dos ciclos anteriores, marcados pela especulação em torno do Bitcoin, o atual crescimento é impulsionado por casos de uso prático: pagamentos internacionais, remessas e proteção contra a inflação. “O dado mais relevante não é apenas o volume, mas o motivo da adoção. Estamos falando de uso real: pagamento, remessas, preservação de valor e acesso a dólares. Isso explica por que mercados emergentes lideram essa curva”, analisa Caio Barbosa, fundador e co-CEO da Lumx, empresa brasileira especializada em infraestrutura blockchain.

O relatório destaca um salto de 125% na adoção liderada pelo varejo. Mesmo em países com restrições cambiais ou banimentos formais, a demanda da população por alternativas financeiras eficientes impulsionou o uso desses ativos. Outro mito derrubado pelos dados é o da predominância de crimes no setor. O estudo aponta que 99% da atividade com stablecoins é lícita. Com o aumento do monitoramento, agentes mal-intencionados migraram para outros instrumentos, enquanto o mercado institucional abraçou a tecnologia.

Atualmente, tesourarias de grandes, pequenas e médias empresas e plataformas digitais utilizam stablecoins para movimentar capital fora das janelas bancárias tradicionais, operar com liquidez 24 horas por dia, 7 dias por semana e reduzir custos de câmbio e fricção em transações transfronteiriças. “Na América Latina, o uso de stablecoins não é guiado por narrativa ou especulação, mas por necessidade econômica. Elas se tornaram uma camada operacional invisível, mas essencial”, reforça Barbosa. (Infomoney)

(Unsplash/Drawkit)

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