segunda, 19 de janeiro de 2026
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ELEIÇÕES EM 2026 NA BAHIA: CORONEL DOBROU A APOSTA

Redação - 19/01/2026 08:59 - Atualizado 19/01/2026

O gesto é claro, público e deliberado. Ao espalhar outdoors pela cidade sugerindo sua candidatura em 2026, noticiado em primeira mão pelo portal Bahia Econômica (aqui), o senador Ângelo Coronel retirou a disputa do terreno nebuloso dos bastidores e a colocou à vista de todos. Num movimento político calculado, Coronel escalou a disputa interna em relação à chamada chapa puro sangue do PT, da qual seria alijado.

O contexto político é claro. O PT baiano, apesar do discurso conciliador, não abre mão da chapa “puro-sangue” e o que oferece são compensações políticas, que parecem não interessar ao senador.

Esta semana, o senador Otto Alencar, principal liderança do PSD no estado, fez um alerta público. Disse que, historicamente, chapa puro-sangue não é competitiva, evocou experiências passadas malsucedidas e, em um momento de franqueza rara, usou um termo forte que depois foi relativizado. Mas, no mesmo movimento,  manteve o apoio ao PT e transferiu a decisão final para Lula. É um recuo elegante. Otto avisa, mas não confronta. Aponta o risco, mas não compra a briga.

Mas com isso mostrou que a disputa por uma vaga no Senado na chapa, não se decidirá nos bastidores baianos. Quando Otto joga a decisão para Lula  afirma, na prática, que a política baiana deixou de ser suficiente para resolver o impasse. Só haverá revisão da estratégia se o custo político se tornar alto demais para o Planalto. Sem tensão, sem ruído e sem ameaça real de ruptura, a tendência natural é a confirmação da solução mais simples: a chapa fechada do PT.

E aí o senador Ângelo Coronel botou a boca no trombone. Ao ir às ruas, ele cria um fato político mais amplo. Os outdoors não falam apenas ao eleitor; falam, sobretudo, aos aliados que o descartam. Dizem que ele não aceita ser eliminado por consenso silencioso, não se resigna a uma suplência simbólica e não se dispõe a desaparecer com discrição. A mensagem é direta: se quiserem retirá-lo do jogo, terão de fazê-lo às claras. E com o risco dele debandar para a oposição.

Coronel transformou uma exclusão negociada em um problema político aberto. Obriga o PT a assumir publicamente a decisão de deixá-lo de fora, com todos os efeitos colaterais que isso implica: desgaste na base, risco de dissidência e enfraquecimento da narrativa de unidade. E tudo indica que Otto Alencar liberou a ação de Coronel.

Não se deve subestimar esse tipo de movimento. Na política, muitas vezes, não vence quem tem razão, mas quem cria constrangimento. Coronel sabe que suas alternativas eram ruins: o silêncio o levaria à irrelevância; a aceitação de uma posição subalterna feriria seu capital político. Então ele dobrou a aposta.

Ao dobrar  a aposta, ele não garante a vitória. Mas muda a natureza do jogo. A exclusão deixa de ser um detalhe administrativo e passa a ser um ato político com custo. O PT, agora, terá de escolher entre acomodar o aliado ou enfrentá-lo, assumindo o desgaste. Lula, se de fato for chamado a decidir, o fará diante de um cenário mais complexo do que aquele desenhado nos gabinetes.

Há que lembrar que o capital eleitoral de Coronel é pequeno. Sua força tem como base a liderança de Otto Alencar, o verdadeiro detentor dos votos. Há de lembrar também que movimento semelhante aconteceu na última eleição quando o vice-governador, João Leão, peitou a chapa proposta pelo PT e PSD e foi tirado dela, migrando para a oposição e não ganhando nada com isso. Por outro lado, os tempos são outros, a eleição que se avizinha será disputadíssima e imprevisível, portanto, o presidente Lula não pode se dar ao luxo de perder aliados. Além disso, correndo por fora, há o presidente nacional do PSD, Kassab, que administra bem o fato de Otto Alencar se aliar ao PT, mas já se posicionou nacionalmente contra Lula.

É um cenário complexo. Mas, não se sabe se agindo como lobo solitário ou se com apoio do PSD, Coronel dobrou a aposta. Em política, quem não cria fatos acaba sendo engolido por eles. Ângelo Coronel decidiu criar o seu. Dobrou a aposta porque entendeu que, neste momento, ficar parado era a forma mais segura de perder. (EP – !9/01/2026)

Foto: João Paulo/Bahia Econômica

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