sexta, 16 de janeiro de 2026
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DECLARAÇÃO DE OTTO ALENCAR SOBRE “CHAPA PURO-SANGUE” GERA REPERCUSSÃO E ESCLARECIMENTOS NA BAHIA

VICTOR OLIVEIRA - 16/01/2026 18:25

Declarações do senador Otto Alencar (PSD) em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo provocaram forte repercussão no meio político baiano e abriram um novo capítulo nas discussões sobre a composição da chapa governista para as eleições na Bahia.

Na conversa com o Estadão, Otto comentou a possibilidade de uma chapa formada exclusivamente por lideranças do PT, o governador Jerônimo Rodrigues, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner, e afirmou que composições desse tipo podem trazer riscos eleitorais. Ao usar a expressão “chapa carniça pode dar problema”, o senador fez referência ao que chamou de fragilidade política das chamadas chapas “puro-sangue”.

Inicialmente, o jornal publicou um título atribuindo diretamente a Otto a classificação da eventual chapa petista como “carniça”. Após reclamação da assessoria do senador, o título foi alterado, e o texto passou a contextualizar a fala como uma crítica geral a chapas formadas por apenas um partido, e não um ataque direto ao trio petista.

Na avaliação de Otto Alencar, experiências anteriores mostram que chapas sem alianças amplas tendem a enfrentar dificuldades nas urnas. Ele citou como exemplo a eleição de 2006 na Bahia, quando uma chapa considerada “puro-sangue” foi derrotada, abrindo caminho para a vitória de Jaques Wagner ao governo do estado.

Apesar das críticas, Otto reafirmou ao Estadão que o PSD pretende manter a aliança com o PT na Bahia. No entanto, deixou claro que o partido não aceita ocupar a vaga de vice na chapa de Jerônimo Rodrigues, nem concorda com a hipótese de o senador Angelo Coronel (PSD) ser suplente de Jaques Wagner. “Isso fere o amor próprio dele. É uma proposta que não deveria ter sido feita”, afirmou.

Em entrevista ao site da revista Veja, Otto Alencar reforçou que a definição da chapa ainda está longe de ser concluída e indicou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá ter papel central na decisão. “Esse tema ainda vai render bastante. É cedo para falar em chapa fechada. A decisão deve passar pelo terceiro andar do Palácio do Planalto”, disse, em referência ao local onde Lula despacha.

Diante da repercussão, a assessoria de comunicação do senador divulgou nota oficial repudiando a forma como a entrevista foi tratada inicialmente pelo Estadão. No comunicado, Otto Alencar afirma que não utilizou termos pejorativos para se referir a aliados ou adversários políticos e que suas declarações foram distorcidas.

Segundo a nota, o senador apenas reiterou, de forma histórica e analítica, que chapas “puro-sangue” costumam ter desempenho eleitoral desfavorável, defendendo um debate político “respeitoso e responsável”. O episódio evidencia as tensões internas na base aliada e antecipa um debate que promete se intensificar nos próximos meses sobre a configuração ideal da disputa pelo governo da Bahia.

Foto: Reprodução

 

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