
Após o período de confraternizações, marcado por excesso de açúcar, álcool e alimentos ultraprocessados, cresce a busca por dietas radicais como forma de “compensação”. Mas é preciso cuidado, pois essa estratégia pode gerar mais prejuízos do que benefícios, afetando o metabolismo, a saúde intestinal e favorecendo o efeito sanfona. A retomada do equilíbrio passa por ajustes graduais e escolhas sustentáveis, não por restrições extremas.
A médica nutróloga Suzana Viana explica que o organismo precisa de tempo para se reorganizar após períodos de exagero. “Dietas muito restritivas logo após as festas tendem a sobrecarregar o corpo, aumentar a compulsão alimentar e dificultar a manutenção de resultados ao longo do ano”, afirma.
Entre as principais recomendações está o retorno progressivo à rotina alimentar. Priorizar alimentos in natura, como frutas, legumes, verduras e fontes magras de proteína, ajuda a reequilibrar o organismo sem causar estresse metabólico. A redução do consumo de açúcar, frituras e ultraprocessados deve ocorrer de forma consciente, sem cortes abruptos.
A hidratação também ganha destaque no pós-festas. O consumo adequado de água auxilia na digestão, na função intestinal e na eliminação de toxinas, especialmente após o aumento da ingestão de bebidas alcoólicas e alimentos ricos em sódio.
O excesso alimentar típico do fim de ano pode provocar desconfortos gastrointestinais, como inchaço, constipação e azia. Para minimizar esses efeitos, a orientação é investir em fibras alimentares, presentes em vegetais, grãos integrais e sementes, além de alimentos que favoreçam a saúde da microbiota intestinal.
Segundo Suzana Viana, respeitar os sinais do corpo é essencial nesse processo. “Fome, saciedade e ritmo intestinal são indicadores importantes. Forçar jejuns prolongados ou dietas muito restritas ignoram esses sinais e podem comprometer a recuperação do bem-estar”, pontua.
A retomada de hábitos saudáveis após as festas deve considerar também o estilo de vida. Reorganizar horários das refeições, praticar atividade física de forma gradual e manter regularidade são estratégias mais eficazes do que soluções imediatistas. “O início do ano não precisa ser marcado por punição alimentar. Quando o foco está na constância e na qualidade das escolhas, os resultados aparecem de forma mais segura e duradoura”, conclui a nutróloga.
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Suzana Viana
Suzana Viana é médica formada pela Faculdade de Tecnologia e Ciências (2013), com pós-graduação em Gastroenterologia pela Faculdade IPEMED (2019) e nutróloga titulada pela Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN). Atua como nutróloga, auxiliando pacientes com problemas gastrointestinais, lipedema, disbiose, obesidade, menopausa e fertilidade.


