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JANEIRO BRANCO: SAÚDE MENTAL NO TRABALHO EXIGE MAIS ESCUTA, MENOS EGO E AMBIENTES MAIS HUMANOS; AFIRMA ESPECIALISTA

João Paulo - 07/01/2026 15:00 - Atualizado 07/01/2026

Este mês é marcado pela campanha Janeiro Branco, movimento nacional que convida a sociedade a refletir sobre a importância da saúde mental e emocional. No ambiente corporativo, a proposta ganha ainda mais relevância diante do aumento expressivo de afastamentos do trabalho relacionados a transtornos psicológicos, como ansiedade, depressão e Síndrome de Burnout. De acordo com dados do Ministério da Previdência Social, mais de 470 mil licenças médicas por transtornos mentais foram concedidas no Brasil em 2024, revelando um cenário que exige atenção urgente das empresas.

“O adoecimento emocional impacta não apenas a produtividade, mas também as relações interpessoais, o clima organizacional e a qualidade de vida dos trabalhadores”, afirma a médica do trabalho e especialista em Saúde e Bem-estar, Ana Paula Teixeira, que recentemente lançou o livro “Quando o trabalho dói”, disponível na Amazon – que relata, justamente, como o ambiente corporativo pode impactar negativamente a saúde dos colaboradores.

Ainda de acordo com a médica, que também é consultora e idealizadora do “Escutaris”, o Janeiro Branco propõe mais do que discursos simbólicos. “Ele convida empresas e trabalhadores a repensarem comportamentos, rotinas e relações. Ambientes corporativos saudáveis são aqueles que estimulam o diálogo, o respeito, a empatia e a cooperação – valores que reduzem conflitos e fortalecem vínculos”, explica.

“Criar espaços de escuta, capacitar lideranças para lidar com questões emocionais e incentivar relações baseadas no apoio mútuo são medidas fundamentais. Cercar-se de boas companhias no trabalho, colegas colaborativos, gestores acessíveis e equipes solidárias são fatores determinantes para o equilíbrio emocional no dia a dia profissional”, conforme alerta a especialista.

Reflexão, propósito e metas que fazem sentido

Mais do que cobranças por desempenho ou disputas internas, o Janeiro Branco propõe um olhar para dentro. É um período oportuno para que cada trabalhador reflita sobre suas metas pessoais e profissionais, baseando-se naquilo que realmente mobiliza o coração, gera propósito e bem-estar; e não em frustrações, comparações ou egos feridos.

De acordo com Ana Paula Teixeira, quando empresas respeitam esse processo e estimulam o autoconhecimento, contribuem para ambientes mais leves e produtivos. Metas alinhadas a valores pessoais fortalecem o engajamento e reduzem o estresse emocional dos trabalhadores.

Ana Paula Teixeira também alerta que o Janeiro Branco deve reforçar a ideia de que as empresas devem voltar o olhar aos cuidados com a saúde mental dos trabalhadores de forma contínua e apenas pontual. “Este deve ser um compromisso permanente. As empresas que investem em ambientes emocionalmente seguros constroem equipes mais engajadas, resilientes e produtivas. Promover o bem-estar no trabalho é, acima de tudo, um exercício de humanidade. Quando há mais empatia, propósito e respeito, todos crescem, pessoas e organizações”.

Ana Paula Teixeira também alerta que o Janeiro Branco deve reforçar a ideia de que as empresas precisam voltar o olhar para os cuidados com a saúde mental dos trabalhadores de forma contínua e não apenas pontual. “Este deve ser um compromisso permanente a partir de 2026, inclusive por uma exigência legal com a nova NR-1 que trata do reconhecimento e gerenciamento de tudo que estressa demasiadamente o ambiente de trabalho. As empresas que investem em ambientes emocionalmente seguros constroem equipes mais engajadas, resilientes e produtivas e ainda mitigam passivos trabalhistas. Promover o bem-estar no trabalho é, acima de tudo, um exercício de humanidade. Quando há mais empatia, propósito e respeito, todos crescem: pessoas e organizações”.

Algumas atitudes simples podem transformar o cotidiano corporativo. Abaixo, a especialista cita alguma delas:

– Reconhecer e mitigar os fatores psicossociais, utilizando questionários anônimos ou escuta qualificada com especialistas

– Praticar a escuta ativa: ouvir com atenção, sem julgamentos ou interrupções.

– Estimular relações respeitosas: divergências não precisam se transformar em conflitos pessoais.

– Valorizar o trabalho coletivo: reconhecer esforços individuais e da equipe.

– Evitar ambientes competitivos tóxicos: foco em colaboração, não em rivalidades.

– Respeitar limites emocionais e físicos: pausas e equilíbrio são essenciais.

– Incentivar hábitos saudáveis: cuidado com o corpo, mente e emoções.

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