quarta, 18 de março de 2026
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COM INADIMPLÊNCIA EM ALTA, BRASILEIROS BUSCAM CRÉDITO MAIS SEGURO E ACESSÍVEL

João Paulo - 11/11/2025 11:17

Com o aumento da inadimplência das famílias brasileiras em 2025 alcançando 30,2% da população (dados da Confederação Nacional do Comércio), muitas tiveram que buscar alternativas de crédito para sair do endividamento. Diante desse cenário, cada vez mais consumidores recorrem a opções tradicionais de crédito, como o consignado ou o refinanciamento de bens. Mas cresce também o interesse por modalidades que oferecem maior liquidez e menor risco: entre elas, a antecipação de precatórios. “O mercado exige que as pessoas analisem com cautela o custo real do crédito e priorizem alternativas que não comprometam a renda a longo prazo, para que aquilo que antes parecia uma solução não se torne uma nova dívida”, explica Bruno Guerra, co-CEO da Precato, fintech especializada em compra de precatórios.

O crédito pessoal, embora amplamente acessível, é também uma das modalidades com juros mais altos do mercado, com média de 8% ao mês. Já o crédito consignado apresenta taxas mais baixas por estar vinculado ao salário ou benefício previdenciário, mas ainda assim implica comprometer parte da renda mensal e exige estabilidade no vínculo empregatício. O refinanciamento de veículos ou imóveis, por sua vez, pode ser uma alternativa mais barata, mas envolve risco de perda do bem em caso de inadimplência.

Ao contrário das opções tradicionais, a cessão de precatórios não compromete a renda do credor e não tem cobrança de taxas recorrentes. O único custo envolvido é o chamado deságio: um desconto inerente à operação, que funciona como uma compensação pelo risco que a empresa compradora assume e é cobrado apenas uma vez, no momento da negociação. Em outras palavras, o beneficiário sabe exatamente quanto vai receber, fazendo da antecipação uma alternativa segura e previsível. “Antecipar um precatório não é pedir um empréstimo, é negociar um direito que já foi conquistado. O credor transforma um ativo futuro em liquidez presente, com total transparência e sem contrair novas dívidas”, explica Guerra.

A venda de precatórios não é uma possibilidade acessível a todos (pois está atrelada a uma ação judicial contra o poder público), mas, ainda assim, todos os anos mais de 270 mil brasileiros têm o direito disponível. Para quem faz parte desse grupo, deixar o valor “congelado” enquanto busca alternativas de crédito mais caras e arriscadas pode não ser a escolha mais inteligente. Nesse contexto, a antecipação surge como uma opção vantajosa para transformar um ativo de longo prazo em liquidez imediata.

Incertezas econômicas aceleram busca por liquidez

Com a promulgação da PEC 66/2023 em setembro deste ano e a imprevisibilidade dos prazos de pagamento, antecipar o precatório se torna não apenas uma opção financeira, mas uma decisão estratégica de proteção patrimonial. “No atual cenário fiscal, cada nova regra é uma lembrança da instabilidade em que vivemos. Antecipar é transformar incerteza e espera em oportunidade”, conclui Guerra.

“O risco maior está do lado de quem compra o precatório, e não de quem antecipa. O comprador assume a espera e os possíveis impactos de novas regras fiscais. Para o credor, é uma operação de liquidez segura”, complementa Guerra.

Ainda assim, Guerra alerta para operações que se apresentam como antecipação de precatórios, mas funcionam como empréstimos disfarçados, com garantias embutidas, taxas ocultas e retenções inesperadas no momento do pagamento final. Essas modalidades, assim como o cartão de crédito, o cheque especial ou o consignado, costumam ser armadilhas disfarçadas de solução: prometem alívio imediato, mas acabam gerando juros abusivos, renegociações intermináveis e perda de patrimônio.

“Na cessão legítima do precatório, o credor não pede crédito, ele negocia um direito que já é seu. É uma mudança de postura: de devedor para dono da própria história. A operação é transparente, direta e não onera quem vende”, enfatiza o especialista.

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