O dólar operou em baixa nesta quinta-feira, 28, em mais uma sessão na qual a moeda é pressionada pelas perspectivas para a interferência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). A demissão da diretora Lisa Cook se arrasta na esfera jurídica, enquanto analistas e investidores buscam entender os impactos para a independência do banco central e na política monetária. Na zona do euro, persiste a crise política na França em razão das propostas de cortes orçamentários. Hoje, na ata da última reunião do Banco Central Europeu (BCE), foi reforçado o temor na região com a elevação das dívidas.
O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, fechou em queda de 0,43%, a 97,813 pontos. Por volta das 16h50 (de Brasília), o euro se valorizava a US$ 1,1686 e a libra tinha avanço a US$ 1,3512. A moeda americana tinha queda ante a japonesa, cotada a 146,92 ienes.
A maioria conclui que a demissão de Cook é negativa para o dólar, aponta o ING. É difícil imaginar que o debate não se espalhe por linhas partidárias, com algumas das críticas mais contundentes à ação da Casa Branca vindas de pessoas como as ex-dirigentes do Fed e do Tesouro, Janet Yellen e Lael Brainard, sugere. “A questão de Cook parece estar presa nos tribunais pelo resto do ano, com o ponto-chave sendo se ela poderá continuar a votar no FOMC durante esse período. Juntamente com a recente nomeação de Stephen Miran para o conselho administrativo do Fed, 17 de setembro promete ser uma reunião bastante intensa”, projeta.
“Temos um leve viés de baixa no dólar, especialmente com o iene. Não podemos deixar de prever um aumento da volatilidade em setembro, o que ajudará a moeda japonesa. E o comentário mais recente do Banco do Japão (BoJ, na sigla em inglês) sugere que as condições estão caminhando para um aumento da taxa de juros em outubro – um resultado que está precificado apenas em 50% hoje”, afirma o ING. Neste cenário, o banco espera que o dólar recue à faixa de 145 ienes.
No Reino Unido, o Commerzbank avalia que os dados mais recentes deixam claro que o país se encontra em uma situação difícil, e sua visão otimista anterior em relação à libra provavelmente não se justifica mais. “O mercado provavelmente precificará novos cortes nas taxas de juros, o que consideramos improvável, dada a inflação persistente. Geralmente, é positivo para uma moeda quando o banco central corta as taxas menos do que o mercado espera. No entanto, provavelmente levará algum tempo para que essa expectativa se estabeleça no mercado. Como resultado, a libra provavelmente sofrerá”, projeta o banco alemão.
Fonte: Estadão Conteúdo
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