Com aumento do preço do cacau, que rondavam os US$ 2.300 por tonelada no fim de 2022 e subiram para de até US$ 12.600 em dezembro de 2024, começa a se consolidar no Sul da Bahia, um novo tipo de produtor cujo foco é o cacau fino.
Essa produção tem rastreabilidade, fermentação controlada e identidade própria, e é voltado à fabricação de chocolates bean-to-bar (do grão à barra) e também orgânicos.
Antes o destino do cacau baiano passava quase exclusivamente pelas tradings e por multinacionais como Cargill, Barry Callebaut e Nestlé, que ainda mantêm presença industrial na região, mas pouco a pouco começa a surgir uma nova rota, que atende a uma demanda mais exigente. E o Sul da Bahia tornou-se uma região que é referência na produção de chocolates finos, com diversos produtos premiados dentro e fora do Brasil.
Esse novo produtor aposta na fermentação controlada, rastreabilidade e genética diferenciada das amêndoas para se diferenciar na produção de cacau.
Um exemplo dessa produção está na Fazenda Riachuelo, da Mendoá Chocolates, cuja meta é ampliar a produção própria e manter o foco em qualidade.
Com 2 mil hectares, dos quais 1.800 são dedicados à produção de cacau no sistema agroflorestal cabruca, que integra o cultivo à vegetação nativa da Mata Atlântica, a principal fazenda do grupo localizada em Ilhéus produz chocolate fino com rastreabilidade de ponta a ponta.
A fábrica tem potencial para processar até 3 toneladas de chocolate por mês, mas atualmente opera com uma média de 1 tonelada.
A produção desse cacau premium não seria possível a um preço na faixa dos US$ 2000,00 a tonelada, mas atualmente, mesmo com o preço tendo perdido força nos últimos meses e esteja agora em torno de US$ 9.000,00, esse preço viabiliza o cacau premium. Com informações da Bloomberg.