

As Bolsas globais sofrem um novo pregão de fortes quedas nesta sexta-feira em reação ao acirramento da guerra comercial. No Brasil, o dólar opera em forte alta, de mais de 2%, e chegou a superar R$ 5,75. Na Ásia, os pregões fecharam em queda pelo segundo dia consecutivo, após o presidente americano ter anunciado o que chamou de “tarifas recíprocas” contra exportações de todos os países do mundo. No fim da sexta-feira, pelo horário local, após o fechamento da maior parte das Bolsas asiáticas, o governo chinês anunciou sua retaliação: vai impor tarifa de 34% sobre os produtos americanos, numa estratégia olho no olho.
Na Europa, as bolsas aprofundaram a queda após o anúncio de Pequim. Em Frankfurt, na Alemanha, as perdas chegaram a superar 5% e em Milão, na Itália, a queda foi até de 7%. As ações de bancos europeus estão despencando: Santander, Deutsche Bank, BBVA e UniCredit têm quedas de mais de 10%. As cotações do petróleo também operam em forte queda, que se acentuaram após o anúncio de Pequim: o barril do tipo brent chegou a cair mais de 6%. Nas Bolsas americanas, as negociações de pré-mercado apontam para uma queda de 3% no principal índice, o S&P 500.
Na quinta-feira, o índice Nasdaq, que reúne as ações de tecnologia dos EUA, desabou 5,4%, no seu quinto pior desempenho dos últimos 10 anos. Na Ásia, os investidores seguiram com a venda em larga escala de suas ações. A Bolsa de Tóquio fechou em queda de 2,75%, com perdas expressivas no setor automotivo: a Toyota perdeu mais de 4%, enquanto Nissan e Honda registraram baixas de mais de 5%. Seul perdeu 0,86% e Sydney 2,44%. Os mercados chineses permaneceram fechados devido a um feriado.
As perdas nas Bolsas
Ásia
Europa (por volta das 10h)
As tarifas anunciadas por Trump, mais significativas do que o esperado, abalaram os mercados na quinta-feira. Wall Street registrou as perdas mais expressivas desde os primeiros dias da pandemia de Covid-1, em 2020, e o dólar sofreu uma desvalorização
— O dia 2 de abril continuará sendo um ponto de inflexão na História do comércio mundial. Os anúncios de Donald Trump desencadearam uma onda expansiva — disse John Plassard, especialista em investimentos da Mirabaud.
As novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos variam de acordo com os países, entre um mínimo de 10% e um acumulado de 54% no caso da China e de 46% no Vietnã. Além de 34% da chamada tarifa recíproca, a China já era taxada em 20% pelos EUA, totalizando assim os 54%.
As medidas anunciadas por Trump também atingem aliados dos EUA como Japão (24%), Coreia do Sul (25%) e Taiwan (32%). Já os produtos procedentes da União Europeia serão submetidos a tarifas de 20%.
Outra consequência é o aumento da cotação do ouro, considerado um valor refúgio, que na manhã desta sexta-feira era negociado a US$ 3.101 por onça (31,1 gramas), levemente abaixo do recorde histórico registrado na quinta-feira. Consulte abaixo, pelo nome do país, a lista completa.
Foto: Bloomberg