quarta, 14 de outubro de 2026
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DATA CENTERS NO NORDESTE: REGIÃO PODE ATRAIR 30% DOS INVESTIMENTOS ATÉ 2036

Hugo Leite - 14/10/2026 16:59 - Atualizado 14/10/2026

O Nordeste poderá concentrar cerca de 30% dos novos investimentos em grandes data centers no Brasil até 2036, além de ampliar a geração de energia eólica e solar e a produção de gás natural. As projeções constam no Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2036), elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), sob diretrizes do Ministério de Minas e Energia (MME).

Divulgado para consulta pública em 8 de outubro, o documento aponta que a presença de pontos de chegada de cabos internacionais de fibra óptica, a disponibilidade de energia renovável e o potencial de desenvolvimento econômico regional estão entre os fatores que favorecem a instalação de centros de dados no Nordeste.

Apesar dessas condições, a maior parcela dos novos investimentos deverá se concentrar no subsistema Sudeste/Centro-Oeste, com participação superior a 65%. O Sul deverá receber os 5% restantes, segundo as estimativas do plano.

Consumo de energia dos data centers 
A expansão dos data centers está relacionada ao avanço da digitalização da economia, à demanda por armazenamento e processamento de informações e ao uso crescente de inteligência artificial. Nesse cenário, o PDE 2036 projeta que o consumo de eletricidade dessas instalações no Brasil alcance aproximadamente 30 terawatts-hora (TWh) em 2036.

Devido à dimensão dos empreendimentos previstos, o planejamento indica uma tendência de conexão direta dos novos centros de dados à rede básica de transmissão de energia elétrica.

Demanda de eletricidade no Nordeste 

O crescimento das atividades de comércio e serviços deverá contribuir para a expansão da demanda por eletricidade no Nordeste. De acordo com o PDE 2036, a carga elétrica do subsistema deverá avançar, em média, 3,7% ao ano entre 2026 e 2036, a maior taxa projetada entre os subsistemas brasileiros.

O índice supera a média estimada para o Sistema Interligado Nacional (SIN), de 3,3% ao ano no mesmo período.

Em termos absolutos, a carga global do Nordeste deverá passar de 14.209 megawatts médios (MW médios), em 2026, para 20.462 MW médios, em 2036. O indicador considera tanto o consumo final de eletricidade quanto as perdas registradas entre a geração e o fornecimento aos consumidores.

O relatório também aponta uma mudança na composição do consumo nacional. A participação da classe comercial deverá aumentar de 19% para 24% entre 2026 e 2036, impulsionada, entre outros fatores, pela expansão dos data centers. No mesmo período, a parcela residencial deverá cair de 32% para 28%.

Outra demanda considerada no planejamento está relacionada à produção de hidrogênio por eletrólise. Segundo o PDE, a implantação de projetos desse tipo deverá ganhar espaço no segundo quinquênio do horizonte analisado, devido ao prazo mais longo de maturação dos investimentos. Ainda assim, a participação dessas atividades deverá permanecer reduzida no período projetado.

Expansão da transmissão
A instalação de grandes consumidores de energia, como data centers e unidades de produção de hidrogênio, deverá exigir investimentos adicionais na infraestrutura de transmissão, segundo a Empresa de Pesquisa Energética.

O PDE destaca estudos para a integração dessas novas cargas no Nordeste e recomenda a implantação do Bipolo Nordeste II, empreendimento destinado a ampliar a capacidade de transferência de eletricidade da região para os subsistemas Sudeste e Sul.

De acordo com o planejamento, o projeto e as obras complementares deverão facilitar a conexão de novos empreendimentos de geração, consumo e armazenamento de energia. A infraestrutura também deverá contribuir para a estabilidade do sistema elétrico e para a redução de cortes de geração associados a restrições de confiabilidade da rede.

 

 

*Informações do site Movimento Econômico.

Foto: freepik

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