

Ernesto de Souza Andrade Júnior, mais conhecido como Netinho, morreu na manhã desta terça-feira (13), aos 60 anos, marcando o fim de uma era na música popular brasileira. Natural de Santo Antônio de Jesus (BA), o cantor ficou eternizado como uma das maiores vozes do axé romântico, principalmente após o sucesso estrondoso de “Milla”, hit que atravessou fronteiras e gerações.
Em fevereiro de 2025, Netinho foi diagnosticado com um linfoma, um tipo de câncer que afeta o sistema linfático. O diagnóstico ocorreu após o cantor sentir dores nas costas e dificuldades para caminhar, levando-o a ser internado no Hospital Aliança Star, em Salvador . Durante o tratamento, Netinho compartilhou com os fãs que já havia tomado 128 injeções na barriga, referindo-se às aplicações subcutâneas de medicamentos . Em suas redes sociais, o cantor demonstrava otimismo: “Estou no finalzinho da 4ª temporada. Tudo indo maravilhosamente bem por aqui como Deus quer”, escreveu em uma de suas postagens .
Depois da alta, Netinho continuou o tratamento e retomou gradualmente as atividades profissionais. Em 2026, o artista revelou que a doença havia retornado e que precisaria iniciar novamente sessões de quimioterapia.
No dia 30 de setembro deste ano, a equipe do músico revelou que ele estava internado novamente no Hospital Aliança Star, após a recidiva do linfoma não Hodgkin.
A carreira de Netinho começou de forma modesta, em bares de Salvador, onde interpretava clássicos da MPB e da bossa nova. Mas foi em 1988, ao assumir os vocais da Banda Beijo, que sua trajetória tomou novo rumo. O grupo ajudou a popularizar o axé music em todo o Brasil com músicas como “Beijo na Boca” e “O Arrastão”.
A consagração definitiva veio em 1993, com o início da carreira solo. O álbum Um Beijo pra Você vendeu mais de um milhão de cópias e apresentou ao público a inesquecível “Milla”. A canção liderou paradas musicais no Brasil e em Portugal, tornando-se símbolo da década e presença constante em festas e carnavais.
“O sucesso de ‘Milla’ me surpreendeu. Era uma música leve, solar, e acho que isso tocou as pessoas”, declarou o artista em entrevistas passadas, ao refletir sobre o impacto do single em sua carreira.
Além do sucesso comercial, Netinho foi um dos pioneiros na internacionalização do axé. Em 1990, foi o primeiro brasileiro a levar um trio elétrico ao exterior, durante a Copa do Mundo na Itália. Dois anos depois, inovou mais uma vez ao desfilar com um trio na Avenida Atlântica, em Copacabana, feito inédito na época.
Saúde, reclusão e polêmicas
A partir de 2013, Netinho passou a enfrentar sérios problemas de saúde, em decorrência do uso de anabolizantes. Internações prolongadas e cirurgias marcaram um período de reclusão, que o próprio artista descreveu como um processo de renascimento: “Achei que fosse morrer. Mas ali comecei tudo de novo, como homem e como artista”, disse ele em entrevista à época.
Nos últimos anos, sua presença nas redes sociais reacendeu debates devido a declarações polêmicas e alinhamentos políticos, que dividiram fãs e seguidores.
Com uma carreira marcada por inovação, carisma e conexão com o público, Netinho deixa um legado afetivo e musical. Sua voz continua ecoando em trilhas sonoras de verões passados e no imaginário de uma geração que dançou ao som de “Milla” sob o sol do Brasil.
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