segunda, 12 de outubro de 2026
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ARGENTINA PERDE MAIS DE 32 MIL EMPREGADORES DESDE A CHEGADA DE MILEI AO PODER

Bruna Carvalho - 12/10/2026 09:50 - Atualizado 12/10/2026

A Argentina registrou uma redução de 32.290 empregadores cadastrados desde que Javier Milei assumiu a Presidência, em dezembro de 2023. O número caiu de 512.357, em novembro daquele ano, para 480.067 em julho de 2026, uma retração de 6,3%, segundo dados da Superintendência de Riscos do Trabalho (SRT), órgão do governo argentino.

A série registra 18 meses consecutivos de queda no número de empregadores cadastrados. Somente em julho, o país contabilizou 948 registros a menos em relação ao mês anterior. No mesmo período, o número de postos de trabalho formais diminuiu em 3.485.

A redução, porém, não significa necessariamente que todas as empresas deixaram de funcionar. O levantamento considera empregadores com pelo menos um trabalhador registrado no sistema de seguro contra acidentes de trabalho. Assim, a queda também pode refletir negócios que deixaram de manter funcionários formalizados, além de alterações cadastrais e reorganizações empresariais.

Consumo fraco e custos pressionam empresas
A retração ocorre em meio a dificuldades enfrentadas por empresas argentinas, como a redução do consumo, o aumento dos custos operacionais e as limitações de acesso ao crédito.

Segundo a Confederação Argentina da Média Empresa (CAME), o aumento das contas de serviços e o endividamento das famílias reduzem a renda disponível para compras. Com menos recursos para despesas não essenciais, os consumidores tendem a priorizar produtos e serviços básicos, afetando as vendas em diferentes setores.

A União Industrial Argentina (UIA), por sua vez, aponta os custos de energia, a carga tributária e as condições de financiamento entre os principais obstáculos para pequenas e médias indústrias.

Importações crescem enquanto indústria recua
O aumento da concorrência com produtos estrangeiros também é apontado como um fator de pressão sobre os negócios locais, em meio à redução das barreiras às importações.

De acordo com o Centro de Economia Política Argentina (CEPA), as compras de bens de consumo do exterior cresceram 34,7% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período de 2023. Na mesma base de comparação, a produção industrial argentina recuou 12%.

Os indicadores mostram movimentos opostos entre a entrada de produtos importados e a atividade industrial doméstica no período analisado.

Efeitos do ajuste fiscal variam entre setores
A queda no número de empregadores ocorre durante a política de cortes de gastos públicos adotada pelo governo Milei, que tem o combate à inflação entre seus objetivos.

Os efeitos das medidas, no entanto, variam conforme a atividade econômica. Em julho de 2026, comércio e indústria registraram retração em comparação com o mesmo mês do ano anterior, enquanto a mineração apresentou crescimento.

Foto: Luis Robayo /AFP

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