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NOBEL DA PAZ 2026 VAI PARA NAVI PILLAY, JURISTA SUL-AFRICANA

João - 09/10/2026 08:00 - Atualizado 09/10/2026

O Prêmio Nobel da Paz 2026 foi concedido à jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay, que tem 85 anos, anunciou o Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo, nesta sexta-feira (10). Ela foi laureada “por sua coragem e integridade excepcionais em sua atuação jurídica e por seus esforços para promover a paz e o direito internacional”, afirmou o presidente do comitê, Jørgen Watne Frydnes. Além disso, Pillay:

“O compromisso de Navi Pillay com os princípios jurídicos universais e sua firme bússola moral são constantes ao longo de sua extensa carreira. Nascida em uma família de origem tâmil indiana, durante o apartheid, em Durban, na África do Sul, Pillay tornou-se advogada e pioneira no campo jurídico, enfrentando a profunda discriminação estrutural, a segregação e a exclusão”, afirmou Frydnes.

Frydnes pareceu alfinetar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao afirmar que a premiação a Pillay foi “uma mensagem àqueles que estão atacando e enfraquecendo o sistema internacional”.

Pillay foi a 21ª mulher a ser laureada com o Nobel da Paz, de um total de 144 vencedores. Ela tem uma carreira de cinco décadas como advogada e juíza. Leia mais abaixo.

A jurista sul-africana disse ter ficado surpresa com sua laureação e brincou, de forma irônica, sobre dividir o Nobel da Paz com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em um breve discurso, ela também defendeu os direitos humanos e falou sobre “sua coragem” ter sido destacada tanto pelo Comitê Norueguês do Nobel quanto sobre as reações a seu relatório de genocídio em Gaza.

Pillay foi informada sobre sua vitória do Nobel da Paz apenas após o anúncio, segundo Frydnes. Em seu discurso em Oslo, ele chegou até a brincar e pedir para que ela “atendesse o telefone”.

Além de uma medalha de ouro com o perfil de Alfredo Nobel, fundador do prêmio, Pillay também receberá 12 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6 milhões).

A presidente do Tribunal Penal Internacional (TPI), Tomoko Akane, parabenizou Pillay pelo Nobel da Paz. A procuradora-geral adjunta do TPI, Nazhat Shameem Khan, que a premiação é “uma homenagem aos direitos humanos”.

O Alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, afirmou que o Nobel da Paz a Pillay é “uma vitória coletiva dos direitos humanos e da justiça”.

Atuação jurídica

Navanethem Pillay começou sua carreira jurídica nos tribunais da África do Sul na época do Apartheid, sistema de segregação racial que dividia a população sul-africana por cor de pele e reservava a maior parte dos direitos políticos e civis à minoria branca. O regime segregacionista ocorreu entre as décadas de 1940 e 1990 no país africano.

O Congresso Nacional Africano (CNA), partido que liderou a luta contra o regime, descreve-a como uma ativista anti-apartheid cuja trajetória se confunde com a história da libertação do país.

Pillay garantiu que Nelson Mandela tivesse acesso a um advogado quando ele estava preso e, por conta de sua atuação contra o Apartheid, ela foi nomeada por Mandela à Suprema Corte da África do Sul, o que a tornou a primeira mulher não branca a integrar o mais alto tribunal do país.

A partir de 1995, a carreira de Pillay se internacionalizou e ela se tornou juíza do Tribunal Penal Internacional (TPI), uma corte independente que julga crimes contra humanidade e crimes de guerra, e da Corte Internacional de Justiça (CIJ), principal tribunal da ONU e que resolve disputas entre Estados e preserva o direito internacional.

Ela presidiu o Tribunal Penal Internacional para Ruanda, criado para julgar os responsáveis pelo genocídio de 1994 naquele país africano.

Entre 2008 e 2014, Pillay ocupou o cargo de Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, a principal autoridade da instituição multilateral dedicada a acompanhar violações cometidas por governos no mundo inteiro.

Mais recentemente, Pillay presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre o território palestino ocupado, Jerusalém Oriental e Israel, contratada pela ONU, que determinou que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza durante os dois anos da guerra contra o grupo terrorista Hamas.

Foto: Patrick Semansky/AP

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