quarta, 07 de outubro de 2026
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EXPORTAÇÕES BAIANAS CRESCEM 19,7% ATÉ SETEMBRO

Victoria Isabel - 07/10/2026 19:00

Mesmo registrando redução de 3% nas vendas externas no mês de setembro (US$ 1,07 bilhão), por conta da redução de embarques para a Ásia, sobretudo para a China, maior mercado para os produtos baianos, as exportações baianas acumulam no ano até setembro alta de 19,7%, a US$ 10,2 bilhões. O resultado é fruto, sobretudo, do aumento dos preços médios dos produtos embarcados em 12,5%, mas também, em menor escala, do crescimento do quantum em 6,4%, todos no comparativo interanual. O desempenho ocorre em um cenário, ao longo do ano, de aumento das vendas de produtos brasileiros ao exterior, que registrou, no mesmo período, aumento de 10,4% em relação ao mesmo período de 2025.

As informações foram analisadas pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia vinculada à Secretaria de Planejamento (Seplan), a partir da base de dados da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

No acumulado Janeiro/Setembro 2026, em comparação com igual período do ano anterior, os resultados por setores foram os seguintes: crescimento de 27,2% em Agropecuária, que somou US$ 3,56 bilhões; crescimento de 39,1% em Indústria Extrativa, que chegou a US$ 690,5 milhões e, por fim, crescimento de 13,6% em Indústria de Transformação, que alcançou US$ 5,94 bilhões. A associação destes resultados levou ao aumento do total das exportações.

Esta conjuntura de crescimento nas exportações foi influenciada principalmente pelo crescimento das vendas nos segmentos de soja e derivados e de derivados de petróleo. Os dois setores contribuíram para sustentar a elevação das exportações, favorecidos por alta de volume e preço, condições que também alcançaram outras commodities.

A soja, apesar de setembro já não ser um mês de pico de exportação, gerou divisas de US$ 414,7 milhões, aumento de 14,1% na comparação interanual. No acumulado do ano, o segmento responde por 26,5% das exportações do estado no ano, com incremento de 32,5% no comparativo interanual, a US$ 2,71 bilhões.

Já os derivados de petróleo que registraram receitas de US$ 2,0 bilhões e alta de 28,7%, sendo o preço, que subiu em média 31,7%, fator determinante para o desempenho positivo, já que o volume embarcado caiu 2,2% no período, todos no comparativo interanual. O conflito no Irã tem mantido o fluxo de petróleo limitado, mantendo os preços pressionados, o que também ajuda a manter em alta os preços das outras commodities exportadas pelo estado. O preço do barril de petróleo chegou aos US$ 100, em meados de setembro, numa alta de 37% em comparação com a cotação mais baixa de julho, com as persistentes tensões geopolíticas alimentando os riscos de mais inflação globalmente.

O grande destaque na exportação baiana em setembro voltou a ficar, pelo segundo mês consecutivo, com o café, que alcançou vendas de US$ 57,2 milhões no mês, com crescimento de 256,3% ante igual período do ano anterior. O volume embarcado do produto se elevou em 359,3% no comparativo mensal interanual, mais do que compensando uma queda de 22,4% no preço médio.

Em termos de divisas, o café só fica atrás da soja e do algodão nas exportações agropecuárias. O avanço da colheita, a maior disponibilidade de grãos no mercado nacional e os estoques mundiais apertados manteve o apetite dos compradores estrangeiros, o que vem incrementando o forte crescimento das exportações do grão.

As exportações baianas para China, principal destino dos produtos do estado, recuaram 24% em setembro, em relação ao mesmo mês do ano anterior, resultado de menor demanda do país de soja, celulose e algodão.

Já para os Estados Unidos, as exportações tiveram uma alta de 53,3% no mesmo mês. A alta se deve à base baixa de comparação, já que, em setembro de 2025, as exportações baianas para o país estavam sentindo em cheio o efeito do tarifaço de então. E a flexibilização maior da política tarifária americana, que tirou itens como celulose, derivados de cacau e café, dentre outros, do alvo na segunda lista de exceções, veio somente em novembro. Em setembro de 2025, portanto, os três produtos, além de outros itens alimentícios, estavam sob tarifas pesadas.

Foto: Jean Vagner/AscomSEI

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