

No Dia do Professor, celebrado em 15 de outubro, a história de Marialva Gargur revela uma trajetória de cinco décadas dedicada à educação e, especialmente, ao ensino de jovens e adultos. Aos 68 anos, a professora e coordenadora do curso de Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos da Estácio Bahia acompanha de perto o impacto da alfabetização na conquista da autonomia e pleno exercício da cidadania de seus alunos. O primeiro contato com o ensino aconteceu ainda aos 14 anos, quando Marialva começou a dar aulas de reforço para crianças com dificuldades de aprendizagem. Aos 17, formou-se como normalista e iniciou carreira em uma escola de educação infantil.
Desde então, Marialva passou por diferentes etapas da educação, da sala de aula à gestão escolar, até chegar ao ensino superior. Há 14 anos na Estácio, leciona para estudantes de diferentes cursos. Atualmente, coordena o curso gratuito de alfabetização de jovens e adultos. A atuação com esse público reúne duas áreas de sua formação: Pedagogia e Serviço Social. Para Marialva, alfabetizar na vida adulta significa mais do que ensinar a ler e escrever. O processo está relacionado à possibilidade de conquistar independência, compreender informações do cotidiano e exercer a própria cidadania. “Eu acredito que a educação transforma pessoas, transforma vidas e faz esse processo de inclusão social e de cidadania”, reflete.
Um dos episódios marcantes em sua trajetória foi o de um empresário que procurou o curso porque não sabia ler e escrever e dependia da esposa e do filho para lidar com fornecedores em sua loja. Com o avanço na alfabetização, ele passou a gerir seu negócio com autonomia. “Foi emocionante ouvi-lo dizer que aprender a ler e escrever havia ´tirado uma venda´ de seus olhos”.
A conquista da autonomia também aparece em situações cotidianas, como conseguir identificar o itinerário do ônibus, preencher uma ficha, utilizar o computador, aprender a fazer uma transferência por Pix ou ter mais segurança para exercer o direito de votar. O curso da Estácio também trabalha a inclusão digital, ampliando as possibilidades de participação dos alunos em atividades do dia a dia. “Mais do que aprender a ler e escrever, esses alunos precisam perceber que são capazes. Muitas vezes, eles chegam com a autoestima muito fragilizada, porque carregam durante anos a vergonha de não saber ler. Quando começam a avançar, a gente percebe uma transformação não só na aprendizagem, mas na forma como se enxergam e se colocam no mundo”, enfatiza Marialva.
Aos 68 anos, depois de mais de cinco décadas dedicadas ao ensino, Marialva segue com a disposição de sempre. A sala de aula continua sendo lugar de realização profissional. Hoje, além de atuar diretamente com os alunos, ela também busca formar novos professores mais criativos, críticos e comprometidos com a transformação proporcionada pela educação. Estagiários do curso de Pedagogia da Estácio Bahia aprendem na prática e com a professora experiente que alfabetizar é muito mais do que decifrar palavras. “Eu me sinto bem em sala de aula, conversando, dialogando, ajudando a construir conhecimento. É assim que eu me sinto feliz”, resume a educadora.
Marialva Gargur_Divulgação



