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IPHAN AUTORIZA OBRAS DE EXPANSÃO DO METRÔ NO CAMPO GRANDE APÓS DESCOBERTA DE SÍTIO ARQUEOLÓGICO

Bruna Carvalho - 02/10/2026 13:00 - Atualizado 02/10/2026

As obras de expansão da Linha 1 do metrô de Salvador até o Campo Grande poderão continuar após o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) aprovar o Programa de Gestão do Patrimônio Arqueológico elaborado para a região da futura Estação Campo Grande. O parecer favorável foi emitido nesta sexta-feira (2) e permite a continuidade das intervenções sem alteração no cronograma previsto para a implantação da estação.

A autorização ocorre após a identificação de um sítio arqueológico durante os estudos realizados para a expansão do metrô. A área, localizada nas proximidades do Largo do Campo Grande e do Forte de São Pedro, guarda vestígios da ocupação de Salvador, principalmente do século XIX. Ao todo, foram encontradas 235 peças arqueológicas, entre fragmentos de cerâmica, porcelana, vidro, metal, ossos e telhas.

O sítio, identificado como Residência Campo Grande (BA-2927408-BA-ST-00041), possui 188,41 metros quadrados e foi localizado durante uma série de sondagens realizadas na área destinada à construção da estação. Segundo o levantamento arqueológico, parte dos vestígios permanece em contexto preservado, com diferentes camadas de ocupação identificadas no local.

Descoberta não altera projeto da estação
Apesar de as escavações da futura Estação Campo Grande atingirem diretamente uma parte do sítio arqueológico, a descoberta não foi considerada um impedimento para a execução das obras. O Programa de Gestão do Patrimônio Arqueológico aprovado pelo Iphan estabelece medidas para que as intervenções avancem simultaneamente ao trabalho de pesquisa, salvamento e acompanhamento dos vestígios.

O programa prevê o resgate das peças que estiverem nas áreas diretamente afetadas pelas obras, além do monitoramento arqueológico das frentes de trabalho. As 235 peças já encontradas serão encaminhadas ao Laboratório de Arqueologia e Paleontologia (LAP) da Universidade do Estado da Bahia (Uneb).

O acompanhamento também deverá permitir a identificação de novos vestígios que eventualmente sejam encontrados durante as escavações. O material recolhido passará por procedimentos de tratamento, análise, documentação e destinação conforme as determinações do Iphan.

A descoberta já havia sido incluída no planejamento da expansão do metrô. Segundo informações da Companhia de Transportes da Bahia (CTB), responsável pelo empreendimento, o achado arqueológico não altera o projeto nem o cronograma de implantação da Estação Campo Grande.

Vestígios revelam parte da história de Salvador
Os estudos arqueológicos indicam que a maior parte dos materiais encontrados está relacionada ao cotidiano doméstico e ao descarte de objetos durante a ocupação da região na segunda metade do século XIX, período marcado pela expansão urbana de Salvador em direção ao Sul da cidade. Também foram identificadas peças que podem ser associadas aos séculos XVIII e XX.

Entre os achados estão fragmentos de faiança, porcelana, cerâmica, vidro, metal, ossos e telhas. Os pesquisadores também identificaram estruturas e diferentes níveis de ocupação no terreno, incluindo um contrapiso e vestígios de uma fogueira.

Além do salvamento do material, o programa aprovado pelo Iphan prevê ações de educação patrimonial para divulgar os resultados das pesquisas e ampliar o acesso às informações sobre a história da região. A proposta inclui iniciativas de divulgação sobre o sítio arqueológico e os artefatos encontrados.

Com a anuência concedida pelo Iphan, as intervenções necessárias para a construção da Estação Campo Grande podem prosseguir, enquanto as medidas de preservação e acompanhamento arqueológico são executadas ao longo das obras.

Foto: Reprodução

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