

O governador e candidato à reeleição, Jerônimo Rodrigues (PT), voltou a cobrar explicações de ACM Neto (União Brasil) após um relatório da Polícia Federal apontar o ex-prefeito de Salvador como liderança de uma organização investigada no âmbito da Operação Overclean.
Durante um comício em Alagoinhas, na noite desta quarta-feira (30), Jerônimo citou a repercussão do caso na imprensa nacional e afirmou que o adversário deveria se posicionar sobre o conteúdo do relatório.
“A CNN tornou a mostrar que tem possibilidade de ele [ACM Neto] estar em organização criminosa juntando pessoas a tomar dinheiro público. É possível que ele queira me colocar na Justiça, pode colocar, mas antes disso ele tem que ler o que a CNN escreveu”, afirmou o governador.
relatório cita investigação sobre contratos em belo horizonte
Segundo reportagem da CNN Brasil, um relatório sigiloso produzido pela Polícia Federal no âmbito da Operação Overclean aponta ACM Neto como liderança de uma organização investigada por suspeitas de direcionamento de licitações e fraudes em contratos públicos em Belo Horizonte. A investigação estima que o esquema tenha movimentado cerca de R$ 1,4 bilhão.
Os investigadores afirmam que ACM Neto “exerce a função de liderança da organização criminosa constituída para obtenção de recursos públicos a partir de contratos públicos superfaturados”. O documento também registra 232 contatos entre o político e o empresário Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, entre agosto e dezembro de 2024.
A própria Polícia Federal informou que a Operação Overclean investiga possíveis irregularidades em contratações da administração municipal de Belo Horizonte entre 2024 e 2025. Segundo a corporação, ao menos três contratos analisados ultrapassam R$ 80 milhões somados.
ACM Neto nega acusações
Após a divulgação da reportagem da CNN, ACM Neto classificou o caso como uma tentativa de interferência no processo eleitoral. Em manifestação divulgada à imprensa, o candidato afirmou haver uma “tentativa de interferir no processo eleitoral com a criação e divulgação de factoides e insinuações mentirosas e falsas”.
Em 17 de setembro, o ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou um pedido da Polícia Federal para realizar buscas contra ACM Neto. A decisão contrariou parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR), que havia se manifestado favoravelmente às medidas solicitadas pela PF.
A decisão de Nunes Marques não encerra a investigação. O ministro autorizou outras medidas contra investigados ligados ao caso, enquanto rejeitou as buscas solicitadas especificamente contra ACM Neto.
Foto: Divulgação/Assessoria e Assessoria/ACM Neto



