terça, 29 de setembro de 2026
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INADIMPLÊNCIA DAS FAMÍLIAS ATINGE RECORDE DE 8%

VICTOR OLIVEIRA - 29/09/2026 14:11

A inadimplência das famílias no crédito livre chegou a 8% em agosto, segundo dados divulgados nesta terça-feira (29) pelo Banco Central (BC). Esse foi o maior percentual registrado desde o início da série histórica, em março de 2011.

Na prática, o índice indica que, a cada R$ 100 concedidos em empréstimos nessa modalidade, R$ 8 estão com pagamentos atrasados há mais de 90 dias. Em comparação com julho, houve alta de 0,2 ponto percentual. Em 12 meses, o avanço foi de 1 ponto percentual.

Considerando todas as operações de crédito com recursos livres, a inadimplência alcançou 6,6%, também com aumento de 0,2 ponto percentual no mês. Entre as empresas, o índice ficou em 4,3%, após crescimento de 0,1 ponto percentual.

De acordo com Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do Banco Central, os índices atingiram níveis recordes em diferentes segmentos analisados pela instituição, incluindo crédito total, crédito livre, crédito direcionado e operações destinadas às pessoas físicas.

O cartão de crédito apresentou uma das maiores taxas de inadimplência. No crédito rotativo, o percentual passou de 65,5% em julho para 66,2% em agosto.

Quando consideradas as modalidades rotativa e parcelada, a inadimplência do cartão chegou a 10%, maior nível da série, com aumento de 0,5 ponto percentual em relação ao mês anterior.

Também houve crescimento nos atrasos do crédito pessoal. A inadimplência do consignado chegou a 3,8%, enquanto a modalidade não consignada atingiu 11%. Nas operações sem garantia, o índice chegou a 15,6%.

Entre os trabalhadores do setor privado que utilizam o crédito consignado, a taxa praticamente dobrou em um ano. O percentual passou de 5,2% em setembro de 2025 para 10,6% em agosto deste ano.

O avanço da inadimplência ocorre em um cenário de crédito mais caro para as famílias. A taxa média de juros das operações com recursos livres chegou a 61,7% ao ano em agosto, alta de 1,4 ponto percentual no mês.

No cartão de crédito rotativo, a taxa média alcançou 444,9% ao ano. Já no cartão parcelado, o percentual chegou a 192,1% ao ano.

O endividamento das famílias também apresentou crescimento. Em julho, o indicador chegou a 49,9%, alta de 0,2 ponto percentual em relação ao mês anterior. O comprometimento da renda permaneceu em 28,7%.

O Banco Central destacou, entretanto, que parte da elevação dos índices de inadimplência está relacionada a mudanças nas regras contábeis. Segundo a instituição, aproximadamente metade do aumento observado pode ser explicada pela alteração nos critérios utilizados para contabilização das operações.

Foto: Marcello Casal Jr | Agência Brasil

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