sexta, 25 de setembro de 2026
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DIA NACIONAL DO SURDO DESTACA DESAFIOS DE ACESSIBILIDADE NO MERCADO CORPORATIVO

VICTOR OLIVEIRA - 25/09/2026 15:45

O Dia Nacional do Surdo, celebrado neste sábado (26), reforça o debate sobre acessibilidade e inclusão no mercado de trabalho e no relacionamento entre empresas e consumidores. No Brasil, 18,6 milhões de pessoas com deficiência, o equivalente a cerca de 8,9% da população com 2 anos ou mais, enfrentam diferentes barreiras de acesso a produtos, serviços, plataformas e conteúdos adaptados, segundo dados da PNAD Contínua do IBGE.

Para Thaísa Durso, especialista em finanças pessoais da Rico, a falta de acessibilidade também pode representar um impacto para as próprias empresas. Segundo ela, deixar parte do público de fora significa limitar oportunidades de crescimento e relacionamento com consumidores.

“A acessibilidade não deve ser vista como um custo ou gesto simbólico, mas como uma decisão de negócio estratégica associada a resultados mensuráveis”, afirmou.

Estudos internacionais apontam uma relação entre políticas de inclusão e indicadores de desempenho corporativo. Uma pesquisa da Accenture em parceria com a Disability e a AAPD identificou diferenças de receita e lucratividade entre empresas com diferentes níveis de inclusão de pessoas com deficiência.

Na atualização publicada em 2023, as companhias que lideravam os indicadores de inclusão registraram, em média, 1,6 vez mais receita e 2,6 vezes mais lucro líquido do que as demais empresas participantes da pesquisa.

Segundo Thaísa, os resultados não significam que diversidade, isoladamente, seja responsável pelo aumento dos lucros, mas indicam uma associação entre práticas de inclusão e desempenho empresarial.

A acessibilidade também está relacionada ao pilar Social do ESG. Para a especialista, oferecer atendimento e conteúdos acessíveis pode contribuir para ampliar o alcance das marcas e fortalecer a relação com os consumidores.

No mercado financeiro, uma das iniciativas voltadas à acessibilidade é a produção de conteúdos de educação financeira em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

A Rico mantém a série “Finanças em Libras”, com vídeos sobre educação financeira apresentados diretamente em Libras no canal oficial da corretora no YouTube. O conteúdo também aparece como uma categoria fixa na plataforma Riconnect, ao lado de temas como primeiros passos, renda fixa, renda variável e finanças pessoais.

A produção desse tipo de material envolve desafios relacionados à terminologia financeira. Conceitos como Selic e Tesouro Direto, por exemplo, exigiram pesquisa e construção de sinais para facilitar a compreensão dos conteúdos pela comunidade surda.

“Ensinar em Libras não é traduzir palavra por palavra: exige cuidado terminológico e didática pensada com a comunidade surda”, afirmou Thaísa Durso.

A iniciativa reforça a discussão sobre a necessidade de ampliar a acessibilidade para além de ações pontuais e datas comemorativas, incorporando recursos inclusivos às estratégias permanentes de atendimento, comunicação e educação das empresas.

Foto: Divulgação

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