

Com a crescente pressão por metas de descarbonização e redução de custos operacionais, a indústria brasileira tem buscado readequar o consumo de energia no chão de fábrica. Segundo o levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 93% das empresas do setor adotam medidas de eficiência energética, enquanto 20% priorizam a inovação tecnológica para atingir metas ambientais.
O movimento reflete o peso do segmento na matriz nacional. De acordo com os dados do Balanço Energético Nacional (EPE), o setor industrial consome cerca de 30% de toda a energia elétrica distribuída no país. Nesse cenário, a transição de sistemas exclusivamente pneumáticos para modelos híbridos ou elétricos surge como uma das principais alavancas de economia.
A substituição ou o dimensionamento correto entre atuadores pneumáticos e servomotores elétricos permite que o consumo ocorra estritamente sob demanda. Considerando que os sistemas motrizes respondem por cerca de 68% de toda a energia elétrica consumida pela indústria nacional — segundo dados do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) —, a adoção de automação elétrica de alto rendimento pode gerar uma economia de até 40% no consumo de eletricidade por equipamento.
“A busca por eficiência energética no chão de fábrica migrou da simples gestão de custos para o centro da estratégia ESG das empresas. Quando substituímos sistemas ociosos por acionamentos elétricos inteligentes, a indústria passa a consumir energia estritamente sob demanda. O resultado é um ganho duplo: redução direta do custo produtivo e dados auditáveis para a meta de descarbonização em Escopo 2”, explica Cesar Gaitam, CEO da Festo Brasil (festo.com/br/pt).
A aplicação conjunta dessas tecnologias impacta diretamente o pilar ambiental (E) e a governança (G) das companhias por meio de diversas frentes operacionais. Ao garantir a redução do consumo sob demanda, o dimensionamento preciso entre sistemas elétricos e pneumáticos evita o superdimensionamento de motores e diminui o gasto energético em tarefas repetitivas.
Além disso, o monitoramento digital de consumo e o uso de sensores de diagnóstico integrados aos sistemas elétricos permitem identificar perdas operacionais em tempo real. Esse mapeamento contínuo via IoT facilita o reporte ESG ao simplificar a prestação de contas da energia comprada (Escopo 2) para atender exigências de auditoria internacional. Paralelamente, o controle fino de aceleração e força reduz o desgaste mecânico de peças, prolongando a vida útil dos componentes e diminuindo o descarte de resíduos industriais.
Essa tendência acompanha metas globais de descarbonização. Na Festo, por exemplo, o compromisso prevê atingir a neutralidade de carbono (Net Zero) nos Escopos 1 e 2 até 2040, alinhado aos critérios da Science Based Targets initiative (SBTi).