

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que seu país é “o melhor e mais poderoso do mundo” e disse que pode “aniquilar o Irã para o inferno” em discurso nesta terça-feira (22) na Assembleia Geral da ONU, em Nova York.
Durante sua fala, Trump dirá que seu governo tem atuado para impedir que a ONU e outras “instituições globalistas” violem a soberania nacional dos EUA e que busca “acabar com décadas de violência, instabilidade e interferência estrangeira” no Hemisfério Ocidental, segundo trechos adiantados pela Casa Branca.
Ainda sobre o Hemisfério Ocidental, que Trump busca dominar e expulsar a presença dos rivais China e Rússia, o líder norte-americano dirá que não admitirá mais ameaças desses países contra os EUA e que “se necessário, usaremos nosso poderio militar incomparável para proteger os interesses nacionais vitais dos Estados Unidos.”
Durante sua fala, Trump exaltou os EUA e afirmou que seu governo atingiu níveis históricos de empregabilidade e de investimento estrangeiro, e de combate à imigração ilegal e pobreza. “Dois anos atrás, nosso país estava morto, e agora é o país mais quente do mundo”, disse. Ele já refutado anteriormente por algumas dessas afirmações.
Ele afirmou que seu governo também está atacando problemas a nível mundial, e que “o mundo inteiro está sendo levantado por um EUA energizados e mais poderosos do mundo”. Trump citou o Irã, defendeu a guerra no Oriente Médio e reiterou que o país “nunca terá uma arma nuclear”. Ele também disse que tem uma “grande decisão” pela frente.
“Será que um acordo será feito com o Irã que faz com que eles consigam reconstruir um grande país, como já foi antes, talvez um dos grandes maiores países no Oriente Médio, ou será que eu tenho que aniquilar a República Islâmica para o inferno e rapidamente. Vamos tentar fazer um acordo logo após as eleições”, afirmou Trump.
Além do Irã, Trump também aludiu à política norte-americana de “guerra ao terror” em outros momentos, ao citar os atentados de 11 de Setembro, em Nova York, e de 7 de Outubro, em Israel. Trump também afirmará que seu governo agiu contra desafios históricos para os EUA, incluindo combater “a ameaça nuclear iraniana e a violência dos cartéis [de drogas]” e assegurar os interesses norte-americanos na Groenlândia.
O discurso de Trump ocorre em meio a uma grave crise enfrentada pela ONU, em parte incentivada pelo próprio líder norte-americano. Desde que ele retornou à Casa Branca, em janeiro de 2025, Trump não apenas criticou a instituição multilateral em diversas ocasiões como também criou um órgão internacional para rivalizar com a ONU, o “Conselho da Paz”.
Em discurso antes de Trump, Lula disse que o Brasil não vai “terceirizar a responsabilidade” de combater os grupos criminosos brasileiros —em referência à pressão da Casa Branca contra o PCC e o CV— e afirmou que entregou uma proposta ao presidente dos EUA sobre o assunto. “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas”, afirmou.
No discurso na Assembleia Geral do ano passado, Trump revelou que se encontrou brevemente com Lula e disse que teve uma “química excelente” com o presidente brasileiro —relembre esse momento. A situação diplomática entre Brasil e EUA, inclusive, “virou do avesso” nesse meio tempo por conta de investidas do governo Trump para influenciar as eleições presidenciais brasileiras, que ocorrerão em outubro.
Foto: Foto de BRENDAN SMIALOWSKI/AFP