

Mais de dois anos após a entrega das áreas comerciais construídas sob as estações Hiper e Cidadela, na Avenida ACM, os espaços ainda não funcionam como estabelecimentos comerciais em Salvador. As estruturas, que foram apresentadas pela Prefeitura como áreas destinadas a lojas e serviços, passaram por um novo processo de concessão em 2025 e começaram a receber intervenções do Consórcio Estações Vivas somente em junho de 2026.
A urbanização das áreas livres sob os elevados das estações Hiper e Cidadela foi entregue pela Prefeitura em abril de 2024, após investimento de R$ 18 milhões. O projeto incluiu lojas comerciais, equipamentos esportivos, parque infantil, bicicletário e áreas de convivência. Na ocasião, o município informou que os espaços 24 espaços comerciais, com áreas entre 8 m² e 54 m², seriam destinados a farmácias, mercados, lanchonetes, delicatessens e outros estabelecimentos.
O processo, porém, ganhou um novo formato no ano seguinte. Em julho de 2025, foi aberto o procedimento para concessão onerosa dos espaços públicos vinculados às estações do BRT e ao Terminal de Transbordo Mané Dendê, incluindo operação, administração, manutenção, conservação e exploração comercial das áreas.
Em outubro de 2025, o Consórcio Estações Vivas, formado pela Reviver Administração Especializada e pela AdMobi Mobilidades e Administração, foi declarado vencedor da concorrência. A proposta estabeleceu outorga fixa anual de R$ 101 mil, além de 5% da Receita Operacional Bruta, pelo período de 25 anos.
O contrato foi assinado em dezembro de 2025, entretanto, as primeiras intervenções físicas nos espaços só começaram em junho de 2026. Naquele momento, a SalvadorPAR informou que as ações iniciais incluíam limpeza, preparação das áreas e instalação de tapumes, com expectativa de que as estruturas entrassem em operação gradualmente até o final do ano.
Segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) e a SalvadorPAR, apesar disso, não houve descumprimento do cronograma. Conforme as informações repassadas à reportagem do portal Bahia Econômica, após a assinatura do contrato, o concessionário precisava apresentar os projetos das estações, que passariam por avaliação técnica do poder público. Somente depois da aprovação seria possível iniciar as intervenções.
A instalação dos tapumes já foi concluída e, segundo a Prefeitura, as intervenções necessárias para a operação dos espaços serão iniciadas ainda neste mês. A ocupação comercial, por sua vez, ocorrerá de forma gradual e dependerá das negociações entre o concessionário e os interessados, além das adequações específicas de cada espaço.
A expectativa do município é que a operação comece até o final de 2026, inicialmente pelo Terminal de Transbordo Mané Dendê. De acordo com a Semob, alguns contratos de locação já foram negociados, especialmente para os espaços deste terminal.
Espaços Vazios
Enquanto a ocupação comercial não acontece, relatos de moradores e usuários do modal apontam problemas nas áreas que permanecem sem funcionamento. Entre as queixas estão sinais de deterioração e vandalismo e a utilização de alguns espaços como abrigo por pessoas em situação de rua.
A situação contrasta com a proposta apresentada pela Prefeitura para as áreas. Em 2024, quando a urbanização foi entregue, o município afirmou que a iniciativa tinha como objetivo dar uso a espaços até então ociosos e estimular a geração de emprego e renda.
A própria SalvadorPAR informou, em junho deste ano, que o projeto atual pretende transformar as áreas vinculadas às estações Hiper, Cidadela e Pedrinhas e ao Terminal Mané Dendê em locais destinados a comércio, serviços, lazer e convivência. O projeto também prevê estruturas para atuação da Guarda Civil Municipal.
Questionada sobre a responsabilidade pela conservação e segurança dos espaços durante o período entre a assinatura do contrato e o início das intervenções, a Semob afirmou que, a partir da assinatura, a responsabilidade pelas áreas concedidas passou a ser do Consórcio Estações Vivas.
Segundo a pasta, eventuais ações necessárias nos locais devem ser realizadas pelo concessionário. A Prefeitura também afirmou que não houve impacto financeiro para o município durante o período em que os espaços permaneceram sem funcionamento comercial.
Outorga já é paga
Apesar de os estabelecimentos ainda não estarem em funcionamento, o município informou que o concessionário já está pagando as parcelas referentes à outorga fixa prevista no contrato.
A exploração comercial das áreas integra uma concessão de 25 anos e envolve não apenas a ocupação dos espaços, mas também a execução de obras de requalificação, implantação de novas estruturas, administração, manutenção e conservação.
Foto: Divulgação/Secom PMS