
A Polícia Federal (PF) continua analisando o conteúdo encontrado no celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O aparelho reúne 32,7 mil arquivos identificados, 10,8 mil chats, 17 mil áudios e 53 mil registros de chamadas telefônicas.
O material vem sendo examinado pelos investigadores para reconstruir a rede de contatos mantida por Vorcaro durante o período em que buscava alternativas para enfrentar a crise de liquidez do banco e evitar uma intervenção das autoridades.
Parte dos dados já revelou comunicações envolvendo políticos, empresários e autoridades. Um dos casos citados envolve o senador Otto Alencar (PSD-BA). Segundo informações divulgadas pelo jornal O Globo, o advogado Ciro Soares aparece em mensagens como interlocutor entre Vorcaro e o parlamentar.
Em uma das conversas, Vorcaro se refere a Otto como “conselheiro e comandante nosso”. O senador, por sua vez, afirma que nunca se encontrou com o ex-controlador do Banco Master.
Ciro Soares também aparece em comunicações relacionadas a Vorcaro e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Uma fotografia de Gonet ao lado de Vorcaro, em Londres, foi enviada pelo celular do advogado e divulgada na última sexta-feira (18).
A Procuradoria-Geral da República confirmou a autenticidade da imagem, mas informou que não comentaria o episódio. Pessoas próximas a Gonet afirmaram que a fotografia foi feita em abril de 2024 e que o registro não representaria uma relação de proximidade entre os dois.
A assessoria de Ciro Soares também confirmou a data da fotografia e afirmou que, naquele período, não havia investigação contra Vorcaro. O advogado declarou que não existe irregularidade na imagem.
Além das mensagens e registros de comunicação, o conteúdo apreendido também passou por uma análise automatizada de imagens. Segundo informações divulgadas pelo colunista Lauro Jardim, o sistema classificou os arquivos de acordo com a possibilidade de apresentarem nudez.
As categorias variam de níveis considerados “muito altos”, com aproximadamente 5,3 mil registros, até “muito baixo”, com cerca de 530 mil. Somadas todas as categorias, aproximadamente 697 mil registros foram submetidos ao chamado “score nudez”.
A PF ainda não concluiu a análise de todo o material armazenado no aparelho. Os investigadores trabalham na separação dos conteúdos que podem ter relevância para os inquéritos em andamento e daqueles que eventualmente possam indicar irregularidades.
Na semana passada, parte do conteúdo extraído do celular foi disponibilizada a ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O acesso ocorreu em meio às divergências dentro da Corte relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master e ao material obtido pela Polícia Federal.
Foto: Ana Paula Paiva/Valor



