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SETEMBRO AMARELO: SINAIS DE SOFRIMENTO EMOCIONAL PODEM APARECER ANTES DO PEDIDO DE AJUDA

João - 18/09/2026 09:30

Dados do IBGE mostram que 32% dos adolescentes brasileiros relataram vontade de se machucar de propósito; psicóloga da Clínica SiM explica mudanças de comportamento que merecem atenção

Nem sempre o sofrimento emocional é acompanhado de um pedido explícito de ajuda. Em muitos casos, ele pode aparecer primeiro em mudanças na rotina e no comportamento, como isolamento, irritabilidade, alterações no sono, perda de interesse por atividades habituais ou queda no rendimento. Identificar essas mudanças pode contribuir para que a busca por ajuda aconteça antes do agravamento do quadro.

Para a psicóloga Mirella Martins Lippi, da Clínica SiM, a observação de mudanças persistentes é importante para diferenciar alterações pontuais de situações que podem exigir atenção profissional. “É natural que as pessoas passem por momentos de tristeza, irritação ou desânimo. O que merece atenção é quando essas mudanças se tornam frequentes, intensas ou começam a interferir na rotina, nos relacionamentos e nas atividades que antes faziam parte da vida daquela pessoa. Nesses casos, é importante conversar e considerar a busca por avaliação profissional”, explica.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024, divulgados pelo IBGE em 2026, mostram a dimensão do tema entre adolescentes de 13 a 17 anos. 32% afirmaram ter sentido vontade de se machucar de propósito nos 12 meses anteriores à pesquisa. O percentual foi de 43,4% entre meninas e 20,5% entre meninos.

Outro indicador aponta para a importância das relações sociais. 26,1% dos estudantes disseram sentir, na maioria das vezes ou sempre, que ninguém se preocupa com eles. Entre as meninas, o índice chegou a 33,3%, enquanto entre os meninos foi de 19%.

Em relação à tristeza, 28,9% dos adolescentes relataram ter se sentido tristes na maioria das vezes ou sempre nos 30 dias anteriores à pesquisa. O percentual foi de 41% entre meninas e 16,7% entre meninos. Apesar de elevado, o indicador nacional apresentou redução em relação a 2019, quando era de 31,4%.

Mudanças de comportamento podem ser sinais de alerta

Entre os sinais que merecem atenção estão o afastamento repentino de familiares e amigos, perda de interesse por atividades, alterações persistentes no sono ou no apetite, irritabilidade frequente, queda no desempenho escolar ou profissional e mudanças significativas na forma de se relacionar.

Segundo Lippi, que também é especialista em Psicanálise, Neurociências e Comportamento, reconhecer esses sinais não significa tentar diagnosticar alguém, mas perceber quando existe uma mudança importante em relação ao comportamento habitual.

A própria PeNSE passou a investigar de forma mais ampla aspectos relacionados à saúde mental dos adolescentes, incluindo sentimentos de tristeza, preocupação, irritação, desamparo, percepção de apoio, sensação de que a vida não vale a pena ser vivida e ocorrência de autoagressão.

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