

Durante um ato de campanha em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia, o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que poderá indicar até seis novos ministros para o Supremo Tribunal Federal (STF) caso seja eleito.
Em discurso a apoiadores, o candidato afirmou que quatro ministros deverão deixar a Corte por aposentadoria durante o próximo mandato presidencial. Segundo ele, porém, o número poderia aumentar caso Alexandre de Moraes e Flávio Dino deixassem o Supremo por outros meios.
“Eu, como presidente da República, vou ter direito a quatro vagas. Pra colocar lá homens e mulheres, que sejam contra as drogas, que sejam contra o aborto, que respeitem a Constituição, que não usem a caneta pra perseguir adversários do governo de plantão”, declarou.
Na sequência, Flávio Bolsonaro mencionou diretamente os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino.
“Só que não vão ser quatro, vão ser cinco, porque Alexandre de Moraes não tem mais condições de continuar sendo ministro do STF. Mas já estou pensando que podem ser seis vagas, porque o Flavio Dino também não tem condição de ficar lá”, afirmou.
As declarações ocorreram durante uma motociata organizada como parte da agenda de campanha. Flávio chegou à cidade de avião e participou do percurso sobre um trio elétrico, acompanhado por apoiadores.
Durante o discurso, o candidato também criticou um julgamento do STF relacionado a um relatório da Polícia Federal envolvendo Alexandre de Moraes. Flávio afirmou ter “nojo” ao comentar o caso.
Na sessão mencionada, os ministros discutiam uma questão de ordem relacionada à tramitação dos processos. A proposta previa a reunião dos casos, a redistribuição da relatoria por sorteio e a abertura de prazo para manifestação da Procuradoria-Geral da República.
O julgamento foi suspenso após um pedido de vista de Flávio Dino. Conforme o cenário descrito no momento da sessão, o placar estava em 4 votos a 3 pela manutenção das análises separadas envolvendo as condutas atribuídas a Moraes na relação com Daniel Vorcaro e a atuação de André Mendonça na condução do relatório relacionado ao caso Master.
Em outro trecho do discurso na Bahia, Flávio Bolsonaro também apresentou propostas para o combate ao crime organizado. O candidato disse que pretende declarar guerra ao que chamou de “narcoterrorismo” e defendeu o enquadramento de facções criminosas e milícias como organizações terroristas.
“Eu vou resgatar esse Brasil de verdade. A partir de janeiro do ano que vem, pode escrever aí: eu vou declarar guerra ao narcoterrorismo”, afirmou.
O candidato também fez uma declaração direcionada aos integrantes desses grupos.
“E se tem algum de vocês aí que ouviu nesse momento, porque eu sei que vocês já estão tentando fazer algo mais grave contra mim. Não adianta, porque aqui é protegido de Deus. Aqui é com propósito. E os seus dias estão contados, porque, a partir do ano que vem, ou vocês serão presos ou vocês vão ser neutralizados pelas nossas polícias”, declarou.
Após a agenda em Vitória da Conquista, Flávio Bolsonaro seguiu para Brasília, onde tinha outros compromissos previstos em sua campanha.