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REDES SOCIAIS ULTRAPASSAM TV COMO PRINCIPAL FONTE DE INFORMAÇÃO SOBRE POLÍTICA NA BAHIA

João - 17/09/2026 06:58

Em apenas quatro anos, os baianos mudaram de forma significativa a maneira como se informam sobre política. Pesquisas do instituto Quaest mostram que as redes sociais ultrapassaram a televisão e assumiram a liderança entre as principais fontes de informação política no estado.

Em maio de 2022, 56% dos entrevistados apontavam a TV como principal meio para acompanhar assuntos políticos. As redes sociais apareciam bem atrás, citadas por 22%. Quatro anos depois, o cenário se inverteu. Pesquisa divulgada em agosto deste ano mostra que 38% dos baianos se informam principalmente pelas redes, enquanto 34% ainda recorrem à televisão.

Na comparação direta entre os dois levantamentos, as redes sociais avançaram 16 pontos percentuais, enquanto a TV recuou 22 pontos. Para Rodrigo Carreiro, codiretor executivo do Aláfia Lab e pesquisador associado do INCT DD, a transformação observada na Bahia acompanha uma tendência regional.

Crédito: Arte CORREIO

“O Nordeste é a região brasileira em que mais se utiliza redes sociais para se informar sobre política. É, em grande medida, uma questão geracional, já que o consumo de TV, por exemplo, cresce com a idade. As redes proporcionam toda sorte de sociabilidade para as pessoas, bem como toda sorte de fonte de informação, da mais genérica às mais específicas. Então, isso ajuda o cidadão a ajustar com mais precisão sua dieta informativa, ainda mais em período eleitoral. Esse ajuste diz respeito a aspectos que mais agradam a cada pessoa: em termos de conteúdo, mas também no que diz respeito a formatos, duração de mensagens, possibilidade de compartilhamento etc. As diversas redes oferecem um cardápio variado nesses sentidos”, afirma.

Carreiro observa ainda que plataformas como Instagram e TikTok concentram, em um mesmo ambiente, conteúdos produzidos por veículos jornalísticos, jornalistas independentes, celebridades, pequenos influenciadores e perfis de humor. Ele ressalta também o avanço de redes como o Kwai, relativamente menos conhecida, mas que tem ampliado sua presença no Nordeste. “O maior desafio para o indivíduo é compreender com clareza quem é quem nesse cenário e conseguir filtrar a informação a partir dessas questões”, salienta.

Apesar da retração da televisão como principal fonte de informação política, as emissoras locais ainda mantêm grande alcance na Bahia. Segundo apurou o Correio, embora 8% dos baianos que assistem à TV desliguem o aparelho quando começa o horário eleitoral, a estimativa é de que, somente em Salvador, mais de 1,5 milhão de pessoas acompanhem os programas eleitorais.

Para o professor de Comunicação Política da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Arthur Ituassu, a mudança de comportamento não significa necessariamente o abandono dos meios tradicionais. “É uma tendência, os números não surpreendem, mas veja que não se trata de uma lógica de substituição, mas de complementaridade. Agora, a oferta de informação política é mais dispersa”, acrescenta.

Outros meios

Além das redes sociais e da televisão, outros canais aparecem com participação bem menor entre os baianos. Sites, blogs e portais de notícias são apontados por 6% dos entrevistados como principal fonte de informação política. Outros 4% dizem recorrer principalmente a amigos, familiares ou conhecidos, mesmo percentual dos que citam WhatsApp ou Telegram.

Entre os meios mais tradicionais, o rádio é a principal fonte para 3% dos entrevistados, enquanto os jornais impressos aparecem com 2%. Pela primeira vez, o levantamento também registrou o uso de chats com inteligência artificial: 1% dos entrevistados disseram utilizar essas ferramentas como principal forma de obter informações sobre política.

Outro dado chama atenção: 8% dos entrevistados afirmam não se informar sobre política.

A ascensão das redes, no entanto, não significa que os veículos jornalísticos tenham perdido espaço na produção do conteúdo consumido nessas plataformas.

Pesquisa Datafolha divulgada neste mês mostra que, entre os eleitores que têm contas em redes sociais, a maioria viu mais conteúdos sobre as eleições de 2026 em perfis de veículos jornalísticos do que em perfis de candidatos ou influenciadores.

Segundo o levantamento, 57% dos entrevistados com contas em plataformas como Facebook, Instagram, TikTok e Kwai afirmaram ter visto conteúdos sobre as eleições nas últimas semanas. Dentro desse grupo, 75% tiveram contato com publicações em perfis de veículos jornalísticos e 71% em perfis de jornalistas. Na sequência aparecem os perfis de candidatos, com 69%; amigos ou familiares, com 65%; influenciadores, com 61%; e grupos de WhatsApp ou Telegram, com 47%.

A pesquisa Quaest, contratada pela Rede Bahia, ouviu 900 pessoas entre os dias 23 e 26 de agosto deste ano . A margem de erro é de 3 pontos percentuais. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números BA-06206/2026 e BR-08870/2026.

Crédito: Imagem gerada por IA

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