

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, rebateu nesta segunda-feira, 14 de setembro, a proposta do candidato à Presidência da República Augusto Cury de dividir o BNDES em duas instituições, uma delas dedicada ao atendimento de micro, pequenas e médias empresas. Durante evento do Grupo Esfera, em São Paulo (SP), Mercadante afirmou que o banco já tem ampla atuação nesse segmento e que a divisão reduziria a capacidade da instituição de apoiar o desenvolvimento da economia brasileira.
“Um banco com 3 mil servidores, se você dividir por meio, não vai cuidar de micro e pequena empresa, porque não temos nem agência nos Estados”, afirmou. Segundo o presidente, o BNDES utiliza uma rede de aproximadamente 80 agentes financeiros para ampliar o acesso ao crédito em todo o país, incluindo bancos privados e cooperativas de crédito.
“Nos últimos três anos e meio nós aprovamos crédito para 1,723 milhão de operações para micro, pequenas e médias empresas. Foram R$ 324 bilhões para micro, pequenas e médias empresas”, revelou ele, destacando que o Banco trabalha com as cooperativas de crédito e com bancos privados, como Bradesco, Itaú e BTG, entre outros, além de ressaltar a importância dos fundos garantidores para ampliar o acesso das empresas de menor porte ao financiamento. “O grande instrumento é o fundo garantidor. Esse é o papel do banco público”, afirmou.
Estado e mercado
Mercadante defendeu uma atuação complementar entre instituições públicas e o setor privado e criticou a ideia de que o desenvolvimento econômico dependa da redução da presença do Estado. “A divergência de fundo é a relação Estado-mercado. É um equívoco o Brasil continuar insistindo que o caminho para o desenvolvimento é o Estado mínimo”, afirmou.
Para o presidente do BNDES, países como China, Estados Unidos e integrantes da União Europeia vêm utilizando políticas públicas, subsídios e incentivos para fortalecer setores estratégicos. Nesse cenário, segundo ele, a retirada do Estado poderia contribuir para a desindustrialização brasileira. “O BNDES não pode querer substituir o mercado de capitais. Não é esse o papel dele, nem queremos um BNDES inchado”, afirmou.
Mercadante explicou que a estratégia atual é manter o tamanho do banco em patamar próximo a 2% do PIB, abaixo do nível alcançado após a crise financeira de 2008, quando os ativos chegaram a representar entre 4% e 5% do PIB. Segundo ele, a atuação do BNDES deve se concentrar em áreas nas quais o mercado privado não consegue oferecer as mesmas condições, contribuindo para mobilizar investimentos privados.
Desempenho e transparência
No evento, Mercadante também apresentou resultados recentes do BNDES. Segundo ele, o banco registra atualmente o segundo melhor resultado do sistema financeiro, lucro recorrente histórico e a menor inadimplência do mercado, de 0,05%.
Os ativos do BNDES, de acordo com o presidente, passaram de aproximadamente R$ 620 bilhões para mais de R$ 1,1 trilhão em três anos e meio. O Banco conta hoje com cerca de 3 mil funcionários, após a realização de concurso público que teve 92 mil inscritos. Mercadante afirmou que 75% dos novos servidores possuem mestrado ou doutorado.
O presidente também ressaltou os reconhecimentos recebidos pelo banco na área de transparência. Segundo ele, o BNDES foi considerado pelo Tribunal de Contas da União, por três anos consecutivos, a instituição pública mais transparente do país. Também citou reconhecimentos da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Câmara dos Deputados. “Uma instituição pública pode ser eficiente, pode ser transparente, pode ter resultado”, afirmou.
Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil