

O candidato ao governo da Bahia, ACM Neto (União), classificou como uma “peça de ficção” o conteúdo atribuído ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em uma proposta de delação premiada. O documento cita o ex-prefeito de Salvador e o presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda.
Durante coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (10), Neto afirmou que a divulgação das informações, a 24 dias das eleições, configura um “crime eleitoral”. O candidato também colocou em dúvida a autenticidade do material.
“As notícias que estão ali são completamente mentirosas. É uma peça de ficção. Não há nenhum respaldo com a realidade. Acontece a 24 dias da eleição, após uma sucessão de notícias e documentos apócrifos. Agora falam de uma suposta delação que ninguém sabe se de fato essa conversa aconteceu, porque não há qualquer confirmação em relação à autenticidade e, como o conteúdo é tão absurdo, tão fantasioso, eu até me questiono se de fato isso aconteceu”, afirmou.
Segundo reportagem do UOL, Vorcaro teria relatado que ACM Neto e Antônio Rueda receberam 10% dos valores investidos por institutos de previdência estaduais no Banco Master.
De acordo com a versão atribuída ao empresário, os dois dirigentes do União Brasil teriam ajudado a captar cerca de R$ 2 bilhões para o banco. A suposta comissão seria de aproximadamente R$ 200 milhões. As acusações envolvem investimentos de fundos de previdência do Rio de Janeiro, Amapá e Amazonas.
Neto negou ter mantido qualquer relação com institutos de Previdência no país e afirmou que essa negativa, segundo ele, enfraquece o principal ponto da acusação.
“Eu não acho que uma disputa eleitoral seja o ambiente do vale-tudo”, declarou.
O ex-prefeito afirmou ainda que já havia se colocado à disposição da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do Supremo Tribunal Federal (STF) para prestar esclarecimentos sobre sua atuação profissional no período em que não ocupava cargo público.
“Eu mantenho essa determinação de estar à disposição para prestar qualquer esclarecimento a respeito dos serviços que eu realizei nesse período em que não exercia nenhuma função pública, não tinha nenhum cargo público. Todos esses serviços foram prestados da maneira mais transparente e oficial possível, com contrato, com nota fiscal, com imposto recolhido e com serviço prestado”, afirmou.
Neto também questionou quando e em que circunstâncias as declarações atribuídas a Vorcaro teriam sido feitas.
“Não se sabe quando isso foi dito, se realmente foi dito, em que contexto isso aconteceu”, afirmou.
O candidato classificou ainda a divulgação do conteúdo como um “vazamento seletivo” e disse que a exposição teria um objetivo político. Segundo Neto, a proposta de colaboração atribuída a Vorcaro já teria sido rejeitada pela Polícia Federal e pela PGR.
A defesa de Vorcaro e os demais envolvidos nas acusações não foram citados nas declarações apresentadas por Neto durante a coletiva.
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