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ACELEN AGRIPARK COMPLETA UM ANO E AVANÇA NA PRODUÇÃO DE COMBUSTÍVEIS RENOVÁVEIS

João - 10/09/2026 06:58

Centro agroindustrial dedicado à espécie desenvolve tecnologias para superar desafios da produção em escala e apoiar um dos maiores projetos de SAF e HVO do país

Como transformar uma planta nativa brasileira, ainda pouco desenvolvida como cultura comercial, em uma matéria-prima capaz de abastecer uma nova indústria de combustíveis renováveis? Essa é uma das questões que mobilizam pesquisadores, engenheiros e especialistas do Acelen Agripark, maior centro agroindustrial do mundo dedicado à macaúba, que completa um ano de operação em Montes Claros (MG).

Desenvolvido pela Acelen Renováveis, empresa de energia do Mubadala Capital, o complexo já contava, antes mesmo de sua inauguração oficial, com estruturas voltadas à transformação da macaúba em uma cultura viável em escala comercial. Ao longo do primeiro ano de operação, um dos principais desafios históricos da espécie começou a ser superado: estudos conduzidos em parceria com a Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) alcançaram taxas de germinação superiores a 80%, diante de índices naturais que variam entre 3% e 5%.

A estratégia é acelerar o desenvolvimento da cultura e criar as condições necessárias para sua futura aplicação na produção de combustíveis renováveis. Para isso, o Acelen Agripark reúne, em um mesmo ambiente, biofábrica, laboratório de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), usina piloto, viveiros e áreas experimentais, conectando pesquisa científica, produção de mudas e processamento da macaúba.

Resultado de um investimento de R$ 314 milhões, dos quais R$ 258 milhões foram financiados pelo BNDES, o complexo concentra ciência, tecnologia e inovação em diferentes etapas da cadeia produtiva da macaúba, da pesquisa genética e produção de mudas ao processamento industrial dos frutos.

Mais do que um centro de inovação agroindustrial, o Acelen Agripark representa uma estratégia para transformar uma espécie nativa brasileira em uma nova plataforma para a produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e Diesel Renovável (HVO), dois segmentos considerados estratégicos para a transição energética e para a descarbonização dos setores de transporte e aviação.

Tecnologia para superar um desafio histórico

Um dos principais destaques do primeiro ano de operação é a biofábrica, considerada o coração tecnológico do Acelen Agripark. Em uma estrutura de 1.500 metros quadrados de sala limpa, processos robotizados permitem enfrentar um dos maiores obstáculos ao desenvolvimento comercial da macaúba: a baixa e lenta germinação das sementes.

A unidade tem capacidade para escarificar até 1,7 milhão de sementes por mês, em um ritmo de aproximadamente um segundo por unidade. O avanço é considerado fundamental para viabilizar a produção de mudas em escala comercial e, consequentemente, ampliar o cultivo da espécie.

Outro diferencial está no LabNext, laboratório dedicado às atividades de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) e controle de qualidade. Com capacidade instalada para realizar até 160 mil análises por ano, 87 equipamentos de alta tecnologia e 93 tipos de análises, o espaço acompanha diferentes etapas da cadeia produtiva.

Água, solo, frutos, óleo e efluentes estão entre os elementos monitorados pelo laboratório, permitindo maior padronização, rastreabilidade e controle dos processos, além de contribuir para os requisitos de sustentabilidade associados à nova cadeia produtiva.

Na usina piloto, a industrialização da macaúba também avança. A planta, totalmente automatizada, foi desenvolvida para testar e aperfeiçoar processos que poderão ser utilizados futuramente na produção de combustíveis renováveis em escala industrial.

A unidade tem capacidade para processar até duas toneladas de frutos por hora e permite a operação simultânea de quatro processos de extração de óleo. O objetivo é testar diferentes alternativas e validar tecnologias que possam posteriormente ser utilizadas em uma estrutura industrial de maior escala.

Da tecnologia ao campo

A inovação também está presente na produção das mudas. Uma linha automatizada de semeadura utiliza tubetes biodegradáveis e sistemas de rastreabilidade capazes de acompanhar individualmente o desenvolvimento das plantas.

O viveiro, por sua vez, tem capacidade para produzir 10,5 milhões de mudas por ano e conta com controle das variáveis ambientais necessárias para favorecer o desenvolvimento das plantas antes de sua chegada ao campo.

“Esse primeiro ano confirma que a inovação é o caminho para transformar o potencial da macaúba em uma nova cadeia produtiva. Mais do que desenvolver uma cultura agrícola, estamos construindo as bases de um projeto capaz de gerar desenvolvimento regional, fortalecer a transição energética e posicionar o Brasil na liderança desse mercado”, afirma Luiz de Mendonça, CEO da Acelen Renováveis.

Além dos avanços tecnológicos, o Acelen Agripark já exerce impacto sobre a economia da região. O complexo reúne atualmente 146 colaboradores, dos quais 37,7% são mulheres, e contribui para movimentar a economia local e ampliar a cadeia de fornecedores.

O empreendimento também mantém parcerias com universidades, centros de pesquisa e instituições nacionais e internacionais, fortalecendo a integração entre conhecimento científico, inovação tecnológica e desenvolvimento de uma nova atividade econômica.

As tecnologias desenvolvidas no complexo começam, agora, a chegar ao campo e dão suporte à expansão do cultivo da macaúba, inclusive em áreas degradadas. O projeto da Acelen Renováveis prevê o cultivo de 144 mil hectares da espécie para abastecer uma futura produção de 1 bilhão de litros anuais de SAF e HVO.

De acordo com estudo da FGV, a iniciativa tem potencial para movimentar US$ 40 bilhões na economia brasileira e gerar até 85 mil empregos ao longo de sua implementação. A expectativa é que a expansão dessa cadeia contribua para ampliar a participação brasileira no mercado de combustíveis renováveis e criar novas oportunidades econômicas associadas à transição energética.

Foto: Acervo Acelen

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