terça, 08 de setembro de 2026
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IAN GLEIZER: “QUERO LEVAR A MÚSICA CRISTÃ E A CULTURA NORDESTINA PARA CADA VEZ MAIS PESSOAS”

João - 08/09/2026 05:00 - Atualizado 08/09/2026

 

 

Cantor e sanfoneiro baiano fala sobre a nova fase da carreira, o sucesso de “Amarelo Sertão” e “Canta Meu Sertão” e revela os próximos passos de sua trajetória musical

 

Ian, você vive um momento importante da sua carreira. Como você definiria essa nova fase?

 

Eu definiria como um momento de amadurecimento, identidade e propósito. Tenho conseguido entender cada vez mais quem eu sou como artista e, principalmente, o que quero comunicar através da minha música. A fé sempre esteve presente na minha vida, assim como a música nordestina e as minhas raízes. Agora, estou conseguindo unir tudo isso em um projeto que tem a minha identidade.

 

De onde surgiu a ideia de transformar hinos tradicionais da Harpa Cristã em versões de xote?

 

A ideia nasceu justamente dessa vontade de unir duas coisas que fazem parte da minha história: a música cristã e a cultura nordestina. A Harpa Cristã possui hinos que atravessaram gerações e fazem parte da memória afetiva de milhões de pessoas. Eu quis apresentar essas canções com uma nova roupagem, trazendo a sanfona, o xote e outros elementos da nossa cultura, mas sem perder a essência da mensagem.

 

O primeiro “Amarelo Sertão” já ultrapassou 500 mil streams. O que esse número representa para você?

 

É muito especial. Mais do que um número, representa pessoas ouvindo, cantando e se conectando com uma mensagem que nasceu de algo muito verdadeiro para mim. Quando começamos o projeto, existia o desejo de fazer algo diferente, mas não imaginávamos que alcançaria tantas pessoas. Ver os hinos chegando a públicos diferentes é uma grande alegria e também uma responsabilidade.

 

E o “Amarelo Sertão II” deu continuidade a essa proposta. Você acredita que encontrou uma identidade musical?

 

Com certeza. Acho que estamos construindo uma identidade muito clara. A sanfona, o xote, os elementos do sertão e as mensagens dos hinos passaram a fazer parte de uma linguagem que o público já reconhece. O segundo projeto veio para mostrar que não era apenas uma experiência pontual. Existe um universo musical que ainda pode ser explorado.

 

Em “Canta Meu Sertão”, você foi ainda mais longe e levou a produção para a roça dos seus avós. Por que esse lugar era tão importante?

 

Porque aquele lugar faz parte de quem eu sou. Não faria sentido falar sobre minhas raízes sem voltar para onde muitas dessas histórias começaram. Gravar na roça dos meus avós foi uma forma de homenagear minha família e tudo aquilo que contribuiu para a formação da minha fé e da minha relação com a música.

 

A participação dos seus avós também chamou muita atenção. A sua avó segurando a Harpa Cristã e o seu avô tocando sanfona é uma imagem muito simbólica.

 

É uma imagem que resume muito do que eu quero transmitir. Minha avó com a Harpa representa a fé, a história e os ensinamentos que recebemos. Meu avô com a sanfona representa a música, o sertão e as nossas raízes. Colocar os dois juntos naquele cenário foi emocionante. É como se duas partes muito importantes da minha história estivessem reunidas em uma única cena.

 

“Canta Meu Sertão” também alcançou números expressivos nas redes sociais, chegando perto de 500 mil streams e ultrapassando 10 milhões de visualizações no Instagram. Você esperava essa repercussão?

 

Não dessa forma. A gente acredita no trabalho, mas nunca consegue prever exatamente como o público vai reagir. Quando percebemos que as pessoas estavam compartilhando, comentando e levando aquelas músicas para suas próprias histórias, entendemos que o projeto tinha ultrapassado a questão musical. Ele passou a gerar identificação.

 

A música “Pelo Sangue”, por exemplo, já ultrapassou 4 milhões de visualizações. O que você acredita que fez essa canção alcançar tantas pessoas?

 

Acredito que a mensagem. É uma música que fala diretamente sobre fé e sobre algo muito central na caminhada cristã. Quando uma canção consegue tocar aquilo que as pessoas carregam no coração, ela encontra espaço. A nossa missão é justamente essa: usar a música para levar uma mensagem de esperança e fé.

 

Você acredita que o Nordeste pode ocupar um espaço ainda maior dentro da música gospel?

 

Sem dúvida. O Nordeste tem uma riqueza cultural e musical enorme. Temos ritmos, instrumentos, histórias e uma identidade muito forte. Acredito que existe um espaço muito grande para que artistas nordestinos mostrem essa cultura dentro da música cristã. E eu quero contribuir para isso.

 

Seu trabalho também mostra que tradição e inovação podem caminhar juntas. Como você enxerga essa relação?

 

Acho que respeitar a tradição não significa ficar parado no tempo. Podemos preservar uma mensagem e, ao mesmo tempo, apresentá-la de uma maneira que converse com as novas gerações. É isso que estou tentando fazer. Pegar algo que já é conhecido e amado e apresentar com uma sonoridade diferente, sem descaracterizar aquilo que realmente importa.

 

Depois de todos esses resultados, o que mudou na sua forma de enxergar a carreira?

 

Aumentou a minha responsabilidade. Quando você percebe que milhões de pessoas estão acompanhando o seu trabalho, entende que cada escolha precisa ter propósito. Quero continuar crescendo, mas sem perder a essência. Não quero fazer música apenas para alcançar números. Quero que as pessoas escutem e sintam que existe verdade naquilo.

 

E quais são os próximos passos? Podemos esperar novos projetos ainda em 2026?

 

Sim. Estamos trabalhando em novos projetos e em novas músicas. Quero continuar explorando essa mistura entre a música cristã e a cultura nordestina, mas também ampliar as possibilidades sonoras. Existem ideias para novos audiovisuais, novas releituras e também músicas que trazem ainda mais da minha identidade como artista.

 

Existe algum projeto futuro que você já possa adiantar para o público?

 

Estamos preparando novidades que vão ampliar esse universo que começamos a construir com “Amarelo Sertão” e “Canta Meu Sertão”. Ainda não posso revelar todos os detalhes, mas posso dizer que vem coisa nova e que a sanfona continuará presente. Quero que o público perceba uma evolução, mas reconheça o Ian em cada trabalho.

 

Você pretende levar esse projeto para além da Bahia?

 

Com certeza. A Bahia é a minha origem, mas o propósito é alcançar pessoas em todo o Brasil e, quem sabe, também fora dele. A música tem essa capacidade de atravessar fronteiras. Quero levar a mensagem dos hinos, a cultura nordestina e a minha história para cada vez mais pessoas.

 

Para finalizar: quem é o Ian Gleizer que o público vai encontrar daqui para frente?

 

É um Ian ainda mais consciente do seu propósito. Um artista que quer crescer, experimentar, aprender e alcançar novos públicos, mas sem esquecer de onde veio. A sanfona, a fé, minha família e o sertão fazem parte de mim. Quero continuar contando essa história através da música e, acima de tudo, levar esperança para quem me ouvir.

 

E qual mensagem você gostaria de deixar para quem acompanha o seu trabalho?

 

Quero agradecer a cada pessoa que tem ouvido, compartilhado e acreditado nesse projeto. Tudo isso só faz sentido porque existe alguém do outro lado recebendo essa música. Espero que cada canção possa levar uma mensagem de fé, esperança e alegria. E que a gente nunca tenha vergonha de valorizar nossas raízes, nossa história e aquilo que Deus colocou dentro de nós.

 

Para saber mais sobre o artista, acesse @iangleizer

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