

Bruno Reis, aliado político de ACM Neto (União Brasil), negou em público o que sua própria administração admitiu no papel. No auge da repercussão de um vídeo em que uma professora da rede municipal mostra a falta de qualidade nas refeições ofertadas às crianças, alegando que são servidos biscoitos de polvilho e torradas aos alunos, a Secretaria Municipal da Educação autorizou um lote de compras de frutas para a merenda escolar de creches, pré-escolas e escolas de ensino fundamental. As ordens foram publicadas na edição 9.343 do Diário Oficial do Município, da quinta-feira (3).
A maior delas, em favor da TAC Comercial de Alimentos e Serviços, prevê 18 toneladas de banana-prata, 21,6 toneladas de banana-da-terra, 21,6 toneladas de laranja, 21,6 toneladas de maçã, 21,6 toneladas de manga, 21,6 toneladas de melancia, 16,2 toneladas de tangerina, 16,2 toneladas de maracujá, 16,2 toneladas de melão, 13,5 toneladas de mamão, 13,5 toneladas de goiaba, 9 toneladas de limão e 6,7 toneladas de abacate, por R$ 684 mil.
Somadas às demais ordens publicadas na mesma edição, incluindo lotes da Nutri+ Comercial de Alimentos e pedidos de ameixa e pera, as compras de frutas chegam a R$ 1,78 milhão. A Prefeitura autorizou ainda cerca de 348 mil ovos e 240 mil pães de cachorro-quente, por R$ 398 mil. Quase R$ 2,2 milhões em alimentos básicos para a merenda escolar de uma só vez, com o ano letivo já avançado.
Se a merenda escolar estava em ordem, a Secretaria não precisaria emitir uma sequência de ordens de fornecimento de banana, ovo e pão enquanto o vídeo da professora circulava.
Um padrão que se repete
O episódio não é isolado. Em maio, mães, educadores e profissionais da educação protestaram contra problemas na merenda escolar das escolas comunitárias conveniadas à Prefeitura, em mobilização identificada como movimento “Pratos Vazios”. A gestão foi cobrada pelo fornecimento irregular, quantidades insuficientes e má qualidade, atingindo quase 30 mil crianças.



