

A Secretaria Municipal de Educação (Smed) promove, durante toda esta quinta-feira (3), o I Encontro Técnico da Alimentação Escolar de Salvador. A iniciativa reúne profissionais da rede municipal de ensino para um dia de qualificação, troca de experiências e discussão sobre temas que impactam diretamente a oferta de uma alimentação adequada, saudável e inclusiva aos estudantes. O evento acontece no Centro de Formação de Professores Emília Ferreira, no Edifício Civil Towers, na Costa Azul.
Promovido pelo Programa de Alimentação Escolar da Smed, o encontro reúne mais de 80 profissionais de nutrição, além de representantes do Conselho Regional de Nutrição e do Centro Colaborador em Alimentação e Nutrição Escolar da Universidade Federal da Bahia (Ufba).
Segundo Juliana Garcia, coordenadora de Alimentação Escolar da Smed e responsável técnica pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), a dimensão da política exige atualização constante dos profissionais. A rede municipal fornece, em média, 180 mil refeições por dia letivo.
“É uma política pública que precisa estar sempre sendo fortalecida e aprimorada, e esse encontro técnico vem para isso: para a gente estar sempre aprimorando as ações que já acontecem no município”, afirma.
Um dos desafios discutidos é a adaptação dos cardápios às necessidades individuais dos estudantes. Além de restrições como intolerância à lactose e ao glúten, os profissionais lidam com casos de seletividade alimentar, especialmente entre crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Destaques
A programação contou ainda com a palestra “PNAE e Atualidades”, abrindo o ciclo de debates sobre as políticas e os desafios atuais da alimentação escolar. Um dos destaques foi a mesa-redonda “Alimentação Inclusiva – Desafios e Práticas no Acolhimento de Necessidades Alimentares Especiais”, que abordou estratégias e práticas para garantir que estudantes com necessidades alimentares específicas sejam acolhidos de forma adequada no ambiente escolar.
Para a nutricionista da empresa Soluções Adriana Gramosa, um dos principais desafios é garantir o suporte nutricional adequado para cada criança, considerando suas necessidades e particularidades.
“Hoje em dia a gente trabalha com vários tipos de cardápios, não só para os autistas. Nós temos diabéticos, hipertensos, crianças com o índice de colesterol elevado. Então, são tratativas particulares de cada criança. Fazemos o cardápio individual, muitas vezes conversando com os pais também, para ver o que essa criança consegue comer e poder adequar dentro da escola”, destaca.
O acompanhamento individualizado também permite observar mudanças importantes no desenvolvimento das crianças.
“É satisfatório para nós, nutricionistas, ver o desenvolvimento dessa criança que inicia na creche com baixo peso e você acompanha o dia a dia dela tendo essa evolução nutricional, de ela chegar não comendo arroz e feijão e sair da escola comendo arroz, feijão, cuscuz, chegando na Educação Fundamental já ingerindo todos os tipos de alimentos adequados para ela”, relata.
Além da inclusão, o encontro também aborda sustentabilidade e agricultura familiar, ampliando a discussão sobre a origem dos alimentos que chegam às escolas e a importância de práticas mais conscientes na alimentação escolar.
No período da tarde, a mesa-redonda “Do Campo ao Prato – Agricultura Familiar, Alimentação Consciente e Sustentabilidade” propõe uma reflexão sobre a relação entre a produção da agricultura familiar, a alimentação oferecida aos estudantes e a adoção de práticas sustentáveis.
O encontro será encerrado com a palestra “Nutrição e Empreendedorismo”, ampliando o espaço de formação e diálogo sobre diferentes dimensões da alimentação no ambiente educacional.
Fotos: Bruno Concha/ Secom PMS