

Candidatos ao governo de Bahia, Pernambuco e Ceará que não apoiam oficialmente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa presidencial estão apostando no chamado “voto casado” entre seus nomes e o petista. A estratégia desafia os palanques de Flávio Bolsonaro (PL) e evidencia a força do lulismo nos três maiores colégios eleitorais do Nordeste.
Na Bahia, aliados de ACM Neto (União Brasil) já defendem o voto em Lula para presidente e no ex-prefeito de Salvador para governador, em uma estratégia que ganhou o slogan “Lula-Neto”. Neto, no entanto, declarou apoio a Ronaldo Caiado (PSD) na disputa pelo Palácio do Planalto.
Em Pernambuco, pessoas próximas à governadora Raquel Lyra (PSD) também passaram a defender o voto “LuQuel”, associando Lula à candidata ao governo estadual. Lyra não declarou apoio a nenhum candidato à Presidência.
No Ceará, aliados de Ciro Gomes (PSDB) aderiram ao discurso “Lula lá e Ciro cá”. O ex-governador e candidato ao governo também não anunciou voto para a disputa presidencial.
Estratégia desafia palanques de Flávio Bolsonaro
A movimentação ocorre em estados nos quais o PT mantém forte presença eleitoral. Bahia, Pernambuco e Ceará são, respectivamente, o quarto, o sétimo e o oitavo maiores colégios eleitorais do país.
Juntos, os três estados concentram cerca de 25,5 milhões de eleitores, o que transforma a disputa pelos votos da região em um dos principais desafios para os candidatos à Presidência.
A associação entre Lula e candidatos que não integram sua base oficial também tem provocado reação do PT. Em alguns casos, integrantes do partido tentaram publicamente desvincular os candidatos estaduais da imagem do presidente e até recorreram à Justiça Eleitoral.
As campanhas de ACM Neto, Raquel Lyra e Ciro Gomes, por outro lado, não têm adotado a mesma postura de desassociação.
Lulismo ainda tem força no Nordeste
Especialistas ouvidos pelo Estadão avaliam que a estratégia evidencia a permanência da força eleitoral de Lula no Nordeste. O cenário também pode dificultar a construção de palanques para Flávio Bolsonaro na região.
A possibilidade de eleitores escolherem Lula para presidente e candidatos de oposição ao PT para os governos estaduais mostra que o voto presidencial pode não acompanhar necessariamente as alianças estabelecidas nos estados.
Com isso, candidatos adversários do PT nos governos estaduais tentam aproveitar a popularidade de Lula entre os eleitores nordestinos sem necessariamente aderir à sua base política.
Foto: PR