

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra os candidatos Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) por declarações feitas durante o debate presidencial da Band, realizado no domingo (23). As representações pedem a remoção de conteúdos publicados nas redes sociais e a aplicação de multas aos adversários.
As medidas judiciais foram apresentadas após a repercussão de falas consideradas ofensivas pela equipe jurídica de Lula. Segundo os advogados do presidente, os candidatos teriam ultrapassado os limites da crítica política ao fazer referências à honra e à reputação do petista.
Ação contra Renan Santos
A representação contra Renan Santos foi protocolada na terça-feira (25) e reúne seis declarações feitas durante o debate. A campanha de Lula questiona especialmente trechos nos quais o candidato do Missão acusa o presidente de corrupção e faz comentários sobre sua vida pessoal.
Para os advogados de Lula, as declarações configuram ataques à imagem do candidato e não podem ser consideradas apenas manifestações relacionadas à disputa eleitoral.
A equipe jurídica também argumenta que a divulgação dos trechos nas redes sociais ampliou significativamente o alcance das acusações. De acordo com a representação, uma das publicações teria ultrapassado 900 mil visualizações no TikTok e alcançado quase 200 mil curtidas no Instagram.
A campanha pede a retirada de 20 publicações dos perfis de Renan Santos e do partido Missão, além da proibição de novas divulgações do material. Também foi solicitada multa de R$ 30 mil por postagem.
Caiado é alvo de outra representação
Ronaldo Caiado também foi acionado pela campanha de Lula. A representação, apresentada na segunda-feira (24), questiona uma declaração feita pelo governador de Goiás durante o debate.
Na ocasião, Caiado utilizou a expressão “Dark Lobby” em referência a Lula, fazendo uma associação com o caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o filme “Dark Horse”.
A fala também mencionou Fábio Luís, filho do presidente, em meio a referências às relações com a lobista Roberta Luchsinger e às tentativas de intermediação de negócios envolvendo medicamentos à base de canabidiol.
Segundo a defesa de Lula, a associação apresentada por Caiado seria indevida e teria como objetivo vincular o presidente a fatos com os quais, segundo os advogados, ele não possui relação.
A campanha também questiona uma montagem publicada nas redes sociais com a imagem de Lula acompanhada da expressão “Dark Lobby”. Para os representantes do petista, a utilização do material nos perfis oficiais de Caiado aumentou o alcance da mensagem entre os eleitores.
Nesse caso, a campanha pede a remoção de duas publicações e a aplicação de multa de R$ 30 mil por postagem.
Debate teve ausência dos principais candidatos
O debate da Band, tradicionalmente um dos primeiros eventos da corrida presidencial, contou com participação reduzida. Lula, Flávio Bolsonaro e Romeu Zema não compareceram ao encontro.
Com as ausências, o debate reuniu Renan Santos, Ronaldo Caiado e Augusto Cury (Avante), que aproveitaram o espaço para apresentar propostas e trocar críticas durante o evento.
As representações apresentadas pela campanha de Lula agora serão analisadas pela Justiça Eleitoral, que deverá avaliar se as declarações e publicações questionadas ultrapassaram os limites permitidos pela legislação eleitoral.
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