quarta, 26 de agosto de 2026
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AUDITOR DA RECEITA FEDERAL É PRESO DURANTE OPERAÇÃO DA PF EM SALVADOR

Bruna Carvalho - 26/08/2026 09:00

O auditor-fiscal Francisco Eliezer Viana da Silva, preso pela Polícia Federal (PF) na Operação Snooker 2, recebia mais de R$ 30 mil por mês como servidor concursado da Receita Federal. Segundo as investigações, ele é suspeito de receber R$ 6,8 milhões em propina para favorecer um esquema de fraudes em operações de importação.

Em junho de 2026, já sob investigação, o auditor recebeu R$ 44 mil por causa da gratificação natalina. Ele é servidor da Receita Federal desde 1994 e estava lotado no Aeroporto Internacional de Fortaleza desde dezembro de 2016.

Francisco Eliezer é apontado pelos investigadores como chefe da organização criminosa. Ele teria interferido em despachos aduaneiros, fornecido informações sigilosas sobre procedimentos de comércio exterior e atuado para facilitar a obtenção de laudos periciais falsos.

A operação também prendeu dois empresários em Salvador: Rodolfo Sergio Martins Maia e Hugo Andrade Mendonça Santos.

Como funcionava o esquema
Segundo as investigações, a organização criminosa atuava desde pelo menos 2020 e era dividida em quatro núcleos: público, empresarial, financeiro e auxiliar.

No núcleo público estaria Francisco Eliezer, que teria usado a posição na Receita Federal para favorecer empresas importadoras e despachantes aduaneiros.

Uma das frentes investigadas envolvia a importação de joias de prata. Os produtos teriam sido declarados como semijoias ou bijuterias de metal comum, reduzindo o valor dos tributos. O auditor é suspeito de ajudar o grupo a obter laudos falsos para sustentar a classificação das mercadorias.

Outra frente envolvia empresários chineses que atuavam no setor de importação de eletrônicos. Segundo a investigação, os produtos eram subfaturados para reduzir o pagamento de impostos, enquanto Francisco Eliezer teria interferido na fiscalização. A propina paga por esse grupo é estimada em pelo menos R$ 2,5 milhões.

Mais de R$ 27 milhões movimentados
A Receita Federal identificou mais de R$ 27 milhões em movimentações entre empresas ligadas ao esquema. Os investigados também teriam adquirido cerca de R$ 31,8 milhões em criptoativos, valor considerado incompatível com as receitas declaradas.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), integrantes do núcleo financeiro teriam criado empresas de fachada em nome de terceiros para movimentar os recursos e ocultar pagamentos de propina.

O órgão afirma que dois integrantes desse núcleo teriam pago pelo menos R$ 3,1 milhões ao auditor em troca de informações privilegiadas sobre procedimentos internos da Receita Federal.

Ao todo, o núcleo financeiro e o auxiliar são apontados como responsáveis pela movimentação de mais de R$ 103,3 milhões por meio de empresas sem atividade econômica real.

Defesa contesta prisão
O advogado de Francisco Eliezer, Marcelo Oliveira, afirmou ao g1 que recebeu com surpresa a decisão que determinou a prisão do auditor. Segundo ele, o cliente já havia sido alvo de busca e apreensão e denunciado formalmente pelo Ministério Público, sem que novos fatos justificassem a prisão.

A defesa informou que adotará medidas para tentar reverter a decisão e demonstrar a inocência do auditor.

As defesas dos empresários Rodolfo Sergio Martins Maia e Hugo Andrade Mendonça Santos não foram localizadas.

Os investigados poderão responder por organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes em operações de importação.

Foto: Divulgação / PF

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