

Mais de nove décadas depois de ingressar na Escola Politécnica para cursar Engenharia Civil, Carlos Marighella recebeu, nesta sexta-feira (21), uma homenagem póstuma da Universidade Federal da Bahia (UFBA), com a concessão do grau simbólico de engenheiro.
O reconhecimento foi recebido pela neta, a candidata a deputada federal, atriz e ex-presidenta da Funarte Maria Marighella (PT), que destacou o significado de a universidade resgatar a memória de um dos principais nomes da resistência à ditadura militar brasileira.
A relação de Marighella com a universidade foi atravessada desde cedo pela política e pelas desigualdades que questionava. Maria conta que, ainda estudante de Engenharia, o avô já se dedicava à militância e se perguntava como poderia ser engenheiro diante de tanta gente passando fome.
As perseguições e prisões políticas interromperam a formação acadêmica de quem, anos depois, seria eleito deputado constituinte pela Bahia e se tornaria um dos maiores símbolos da resistência ao regime militar.
Considerado o “inimigo número um” da ditadura, Marighella foi perseguido e assassinado por agentes da repressão em 1969. Para Maria, no entanto, a memória do avô vai muito além da imagem construída em torno do revolucionário.
“Marighella não foi apenas um revolucionário baiano. Foi poeta, parlamentar, dirigente partidário, um comunista, um baiano, um brasileiro”, afirmou.
de a capacidade de sonhar, se refazer com essa vida dedicada à sua gente. […] Que, no solo sagrado dessa universidade, possamos, sim, ter o direito de pensar, celebrar o que somos, mas levar ao Brasil um sonho de justiça, igualdade e liberdade. Que essa universidade nunca seja a universidade da barbárie”, afirmou.