

O Nordeste concentrou 1.205.713 empresas inadimplentes em junho de 2026, segundo dados do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian. No período, foram contabilizadas 6.460.335 dívidas negativadas na região, que totalizaram aproximadamente R$ 19,7 bilhões.
A Bahia apresentou o maior número de empresas com dívidas em atraso entre os estados nordestinos, com 332.416 CNPJs inadimplentes. Na sequência aparecem Pernambuco, com 216.291 empresas negativadas, e Ceará, com 193.396.
Em relação ao valor das dívidas, o Rio Grande do Norte registrou a maior dívida média por empresa da região, de R$ 22.083,24. O estado também apresentou o maior ticket médio, de R$ 3.536,36.
Cenário nacional
No Brasil, o número de empresas inadimplentes também avançou em junho e ultrapassou a marca de 9,1 milhões de CNPJs, o maior número registrado na série histórica da Serasa Experian.
O volume financeiro das dívidas negativadas chegou a R$ 232,9 bilhões. Em média, cada empresa inadimplente acumulou 7,3 contas em atraso, com dívida média de R$ 25.508,96 por CNPJ. O ticket médio das dívidas foi de R$ 3.515,77.
Para a economista-chefe da Serasa Experian, Camila Abdelmalack, os números refletem a permanência de um cenário financeiro difícil para as empresas brasileiras.
“Os dados mostram que a inadimplência segue avançando mesmo após o início do ciclo de cortes da Selic. Isso acontece porque as condições financeiras continuam bastante restritivas e os juros permanecem elevados em termos históricos, limitando uma melhora mais consistente do mercado de crédito”, afirma.
Segundo a economista, a desaceleração da atividade econômica também reduz o ritmo de geração de receita das empresas, dificultando a reorganização das dívidas e a recomposição do fluxo de caixa.
Serviços concentram maioria das empresas inadimplentes
Entre as empresas negativadas em junho, o setor de Serviços respondeu por 55,7% do total. O Comércio apareceu em segundo lugar, com 32,2%, seguido pela Indústria, com 8,0%, e pelo setor Primário, com 0,9%.
De acordo com Camila Abdelmalack, a composição das dívidas indica que parte significativa das empresas continua recorrendo ao crédito para manter as operações e administrar o capital de giro.
“Em um ambiente de crédito mais seletivo, reorganizar esses compromissos financeiros se torna mais difícil, o que prolonga o processo de regularização e contribui para a manutenção de um estoque elevado de inadimplência”, explica.
Na análise da origem das dívidas, o segmento de Serviços também apresentou a maior participação, com 31,6%. Em seguida aparecem Bancos/Cartões, com 19,5%; Cooperativas, com 8,4%; Utilities, com 6,9%; e Telefonia, com 6,0%.
Para a economista, o perfil das dívidas mostra que a inadimplência empresarial permanece relacionada, em grande parte, às necessidades de financiamento das próprias operações.
“Em um ambiente de crédito restritivo, administrar essas obrigações torna-se mais complexo, especialmente para empresas que dependem de capital de giro para manter suas atividades”, destaca.
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