

A construção civil brasileira deve registrar crescimento de 0,6% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. A estimativa foi apresentada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE) durante reunião de conjuntura econômica promovida pelo SindusCon-SP nesta quarta-feira (12).
Apesar do avanço, o presidente-executivo do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, avaliou que o país dá sinais de desaceleração. Segundo ele, diversos indicadores apontam para um período de menor atividade econômica.
O desempenho do setor foi acompanhado por resultados positivos no mercado de trabalho e no consumo de materiais. O emprego na construção cresceu 3% no Brasil entre dezembro de 2025 e junho de 2026. Em São Paulo, o número de trabalhadores com carteira assinada aumentou 2,1% no mesmo período.
O consumo de cimento também avançou. No primeiro semestre, a alta foi de 2,3% em relação ao mesmo período de 2025. Todas as regiões brasileiras registraram crescimento, com exceção do Sudeste, onde o consumo permaneceu estável.
Por outro lado, a produção física de materiais de construção recuou, enquanto o volume de vendas no varejo também apresentou queda.
Mercado imobiliário
Na cidade de São Paulo, o mercado imobiliário residencial manteve trajetória de expansão entre janeiro e maio. Os lançamentos cresceram 10,6%, enquanto as vendas aumentaram 3,9% na comparação anual.
O levantamento apresentado na reunião também mostrou a forte participação das gerações mais jovens nos contratos habitacionais. Em uma base de 571.592 contratos firmados entre 2016 e 2025, os millennials foram maioria nas três faixas analisadas, enquanto a Geração Z teve participação expressiva principalmente na Faixa 1.
Custos e falta de mão de obra
Os custos continuam sendo um desafio para as empresas. O INCC-DI acumulou alta de 4,91% no Brasil e de 5,19% em São Paulo até julho. Em 12 meses, as altas chegaram a 6,44% e 6,97%, respectivamente.
Outro problema apontado pelo setor é a escassez de profissionais qualificados. Segundo a Sondagem da Construção, realizada em julho, a falta de mão de obra qualificada foi citada por 37,9% das empresas como um dos fatores que limitam a melhora dos negócios.
Na sequência aparecem o custo da mão de obra (24%), a demanda insuficiente (23,3%), a competição no setor (22,9%) e o custo das matérias-primas (16,7%).
Para o presidente do SindusCon-SP, Yorki Estefan, a evolução do setor dependerá também das condições de crédito. Ele avalia que, sem uma maior participação da Caixa Econômica Federal no financiamento habitacional para a média renda, o crescimento deverá continuar lento.
Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil