terça, 11 de agosto de 2026
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CHACINAS EM SALVADOR E RMS AUMENTAM 50%, APONTA RELATÓRIO DO FOGO CRUZADO

Matheus Souza - 11/08/2026 15:38 - Atualizado 11/08/2026

Foram registrados seis casos de chacinas em Salvador e na região metropolitana (RMS) no mês de julho. O índice, divulgado pelo relatório do Instituto Fogo Cruzado nesta terça-feira (11), representou um aumento de 50% em relação ao mesmo período do ano anterior, em 2025, quando foram registradas quatro chacinas.

Os seis casos registrados em julho ocorreram nos bairros de Capelinha, Castelo Branco, Cosme de Farias, Barreiras, Nordeste de Amaralina e Beiru/Tancredo Neves, em Salvador.

Conforme o Fogo Cruzado, se configura como “chacina” uma ocorrência de violência com três ou mais civis mortos. A “chacina policial” é quando esse evento ocorre em decorrência de uma ação das forças de segurança. Nos registros de julho, todas as chacinas foram registradas durante ações ou operações policiais, que deixaram 16 pessoas mortas.

O número de mortos também cresceu em relação ao ano passado: o número de vítimas aumentou 14%, passando de 14 para 16 mortos, entre julho de 2025 e 2026. Apesar da alta registrada no mês, o acumulado do ano apresenta redução no número total de chacinas.

De janeiro a julho de 2026, foram registradas 20 chacinas, contra 24 no mesmo período de 2025, uma queda de 17%. A diferença, porém, aparece na participação das ações policiais: neste ano, 19 das 20 chacinas ocorreram durante ações ou operações policiais, o equivalente a 95% dos casos. Em 2025, foram 16 chacinas em ações policiais entre as 24 registradas, correspondendo a 67%.

Apesar da redução de 17% no número total de chacinas, o número de pessoas mortas em chacinas durante ações policiais permaneceu o mesmo: 65 vítimas nos dois períodos. Em 2026, 65 das 68 pessoas mortas em chacinas foram vítimas de casos ocorridos durante ações ou operações policiais, o equivalente a 96% das mortes. Em 2025, foram 65 das 89 vítimas, ou 73%.

“Esses dados refletem uma concentração da letalidade em determinadas dinâmicas e territórios, e isso precisa ser considerado. Não podemos tratar como mera coincidência eventos com múltiplas mortes sempre nos mesmos CEPs”, afirma Tailane Muniz, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado. Ainda segundo ela, a segurança pública precisa ser pensada a partir da proteção da vida e da redução da letalidade, e não da naturalização de mortes como resultado positivo.

O Fogo Cruzado é um Instituto que utiliza tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida.

Salvador e região metropolitana registraram ao menos 118 tiroteios em julho de 2026, segundo dados do Instituto Fogo Cruzado. Ao todo, 120 pessoas foram baleadas: 93 morreram e 27 ficaram feridas. Do total de ocorrências, 62 aconteceram durante ações e operações policiais, o equivalente a 52% dos tiroteios registrados no mês. Esses episódios deixaram 49 mortos e 12 feridos.

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