segunda, 10 de agosto de 2026
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ÍNDICE CEAGESP CAI 0,24% EM JULHO IMPULSIONADO POR CLIMA E QUEDA NOS LEGUMES

Matheus Souza - 10/08/2026 18:57 - Atualizado 10/08/2026

O índice de preços Ceagesp recuou 0,24%, continuando a tendência de queda de 1,63% registrada no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o índice havia apresentado ligeira queda de 0,02% e, com o último resultado, encerrou o período apresentando um acumulado de alta de 4,01% no ano e de aumento de 8,28% nos últimos 12 meses.

Os grandes responsáveis pela deflação registrada em julho foram os setores de Legumes (-23,08%), Diversos (-14,53%), Verduras (-13,29%), e Pescados (-2,04%). A queda só não foi maior por causa do setor de Frutas (+7,60%).

No setor de Legumes, 75% dos 32 itens cotados registraram queda de preços. Como fator preponderante, há o clima predominantemente seco, com temperaturas moderadas, que contribuiu para a redução das perdas no campo e as incidências de pragas e doenças. Com o avanço da colheita da safra de inverno nas principais regiões produtoras, houve aumento no volume mensal de oferta de produtos e pressão para baixo nos preços.

Tomates continuam a recuar

A maior queda nesse setor foi do pepino comum (-51,75%), favorecido pela combinação de baixa umidade e dias ensolarados, que encurtaram o ciclo de desenvolvimento e aumentaram as colheitas. A tendência de baixa já registrada para os tomates em junho repetiu-se com as variedades Carmem (-51,08%) e Pizzad’oro (-44,75%), pois muitos produtores escalonaram o plantio para o começo deste ano, o que se traduziu em pico de colheita simultâneo em julho. Não houve intercorrências para esse cultivo, graças à ausência de geadas tardias e regime pluviométrico abaixo da média nas regiões produtoras.

No setor de Diversos (-14,53%), as maiores quedas foram das batatas lavada (-35,10%), escovada (-32,73%) e asterix (-27,81%). A disponibilidade desse tubérculo no mercado atacadista aumentou devido à combinação de aumento da colheita mecanizada em Vargem Grande do Sul (SP) e as férias escolares, que reduziram o volume de compras institucionais no período.

No caso dos ovos brancos (-10,75%) e vermelhos (-10,69%), a queda também se correlaciona às férias escolares, mas também aos níveis elevados de estoques nas principais regiões produtoras. Essa combinação de fatores acabou obrigando os avicultores a conceder maiores descontos para evitar perda de produtos.

Cinturão Verde Paulista

No setor de Verduras (-13,29%), em que 67% dos 39 itens cotados registraram queda, o coentro (-63,77%) foi o líder em baixa de preços, favorecido por frentes frias no Cinturão Verde Paulista que geraram temperaturas moderadas, fator que induz precocidade no chamado pendoamento (processo de formação de flores), o que obrigou a acelerar o processo de colheita dessa hortaliça, sensível a variações de temperatura e cujo ciclo de cultura é de 30 a 45 dias.

A couve manteiga (-37,41%) teve queda de preço puxada pelo aumento de colheita nas regiões das cidades paulistas de Piedade e Ibiúna, para o que favoreceu a combinação de radiação solar e temperaturas moderadas. No caso dos brócolos, o aumento da temperatura acelerou a abertura de botões florais e isso apressou a colheita, gerando reflexos no aumento de estoque e consequentes reduções de preços, com o ramoso registrando queda de 24,42%, e o ninja, caindo 20,06%.

No setor de Pescados (-2,04%), 57% dos 30 itens cotados apresentaram queda de preço, e a anchova (-38,02%) foi a líder nessa tendência, com a redução média de preços sendo devida à demanda enfraquecida no período, apesar da redução no volume mensal de oferta.

Já abrótea (-16,02%) e corvina de água salgada (-14,45%) registraram aumento nos volumes mensais de oferta, pois a captura foi beneficiada pelas frentes frias nos litorais das regiões Sul e Sudeste, o que ampliou a área de pesca e aumentou a disponibilidade desses produtos in natura para processamento, gerando pressão de oferta.

Melancia lidera altas

Por fim, o setor de Frutas subiu 7,60%, com a melancia (+58,25%) liderando as altas, pois em julho houve transição de safra entre as principais regiões produtoras, com Uruana (GO) entrando em fase final ao mesmo tempo em que o envio das produções tocantinenses ocorria gradualmente. Com isso, principalmente as graúdas, as melancias tiveram redução de volume de oferta, ainda que a expectativa para esse produto seja a de, em agosto, os preços caírem devido à normalização do volume mensal de oferta.

 

No caso do mamão Havaí (+41,54%), houve também restrição de oferta, puxada pelas noites mais frias no norte do Espírito Santo e sul da Bahia, as principais regiões produtoras. Com isso, houve retardo no amadurecimento dos frutos e redução de colheitas. Já o limão taiti (+41,20%), apesar do aumento do volume mensal de oferta, sofre com a pressão do mercado externo e da indústria de processamento, que aumentou a concorrência pelos lotes com qualidade superior, o que, em conjunto com a janela de exportação da fruta in natura para a Europa, manteve a demanda aquecida.

 

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